Roberto Abnenur alerta sobre guerra comercial dos EUA contra o Brasil

O ex – embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur, alertou que Donald Trump desmantelaria uma ordem econômica estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial e declarou um tipo de guerra comercial contra Brasília.
Em entrevista à Carta Capital, ele afirmou que as ações recentes indicam que os Estados Unidos passaram por mudanças radicais sob segundo mandato republicano; para o diplomata, a política externa americana hoje é marcada pela força — seja ela militar ou puramente financeira —, sem limites claros.
Segundo Abdenur, essa mudança rompeu com períodos anteriores caracterizados relativa paz e estabilidade global.
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O ataque econômico: Brasil como alvo preferencial
Abdenur detalhou em sua análise que Washington estaria conduzindo duas frentes simultâneas: uma esfera armada de confronto contra Irã e outra na área econômica voltada ao país brasileiro. Embora Trump tenha imposto tarifas sobre 60 países diferentes no total, ele destacou que Brasília se tornou um “alvo preferencial” dessas agressões comerciais.
As recentes atitudes do secretário americano Marco Rubio ilustram esse foco nos laços bilaterais complicados entre os dois lados.
A defesa diplomática e dados de comércio
O chanceler Mauro Vieira reagiu à ofensiva como sendo “grosseira e arrogante”, reforçando que há um incômodo na Casa Branca pelo fato de o país sul – americano se recusar a ceder às “pretensões desmedidas” americanas. Ele também lembrou aos leitores sobre os laços comerciais robustos entre ambos: em 15 anos recentes, houve superávit bilionário nos negócios americanos com brasileiras — totalizando US424 bilhões.
Abdenur relembrou seu próprio histórico profissional no exterior ao comentar sua experiência dupla atuando para diplomacia brasileira; ele serviu pela primeira vez como jovem diplomatista (entre 1973 e 1975) e depois foi embaixador de Washington por um período mais longo (de 2004 a 2007.
Na época, lidou com assuntos delicados que incluíam comércio internacional, dívida externa ou negociações envolvendo o Mercosul. Ele contrastou essa memória dizendo: “Agora não [estão as dificuldades]. Temos um ataque *across the board*, que cruza os limites.”
O impasse no diálogo bilateral
Questionando se é possível reverter esse “tarifaço”comercial caso Trump mantenha justificativas frágeis para suas políticas externas, Abdenur apontou falhas na retomada do contato diplomático entre Brasília e Washington.
“Foi o Brasil quem sempre tomou a iniciativa de buscar a negociação”, afirmou ele; contudo, segundo seu relato, houve momentos em que foram fechadas portas. Por isso, concluiu: “Não há espaço para diálogo nem negociação”. O ex – embaixador alertou ainda que os Estados Unidos agiram com base num impulso político momentâneo ao tratar do tema brasileiro, ignorando diversas tentativas feitas por Lula — seja presencialmente ou pelo telefone —, buscando retomar um canal aberto.
A ameaça política às eleições brasileiras
O componente mais preocupante apontado foi uma interferência velada na ordem internacional e no processo democrático interno. Abdenur trouxe à tona o fantasma de manipulação eleitoral orquestrada principalmente pela ação conjunta entre Trump e Rubio.
“Está em curso um processo de interferência nas eleições”, declarou Roberto Abdenur; essa manobra visa prestigiar Flávio Bolsonaro (PL). Ele comparou a situação brasileira com outras intervenções que já ocorreram, mas enfatizou: “No caso do Brasil é muito mais séria… É como se fosse um exército atacando um país vulnerável”.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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