STF: Ministro Moraes enfrenta pedido de revelia nos EUA

Ministro Moraes enfrenta pedido de revelia nos EUA, gerando questionamentos sobre jurisdição e possíveis implicações na Primeira Emenda

22/06/2026 14:26

3 min

Antonio Augusto/STF
Antonio Augusto/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foi alvo de um pedido de “revelia” em uma corte federal sediada em Tampa, na Flórida, Estados Unidos, nesta quinta-feira (18). A ação foi protocolada por plataformas de vídeos, como a Rumble, e pelo grupo Trump Media & Technology Group.

Em termos jurídicos, a revelia implica que o ministro não teria apresentado sua defesa formal dentro do prazo legal após ser notificado do processo, permitindo que os autores avancem com suas alegações processuais.

Detalhes do Pedido de Revelia e o Processo Judicial Americano

Os autores do processo alegaram que a citação do ministro foi realizada por meio eletrônico, especificamente por e-mail. Segundo as alegações, o prazo legal de 21 dias para que ele se manifestasse expirou sem qualquer resposta ou defesa apresentada.

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Além disso, as empresas indicaram que Moraes não havia solicitado prorrogação do prazo nem constituído advogados para representá-lo perante o tribunal estadunidense.

É importante notar que a revelia, por si só, constitui apenas uma etapa inicial no trâmite processual. Caso o juiz aceite o pedido de ausência de defesa, os autores ainda precisarão obter uma decisão judicial conhecida como “Default Judgment”.

Neste momento, o magistrado analisará o mérito da causa e determinará se há fundamento legal suficiente para acolher os pleitos apresentados pelos requerentes.

A natureza do processo, portanto, não se limita apenas à ausência de defesa, mas sim à análise do mérito das ações que o ministro teria promovido ou sugerido em relação a conteúdos e contas sediadas nos Estados Unidos.

O Núcleo da Disputa: Jurisdição e a Primeira Emenda

As empresas que moveram a ação argumentam que o ministro teria tentado impor restrições a conteúdos e contas que operam dentro do território americano. Além disso, alega-se que houve busca por informações de usuários americanos sem o uso dos mecanismos jurídicos devidamente previstos pela legislação dos EUA.

Segundo essa perspectiva, tais ações configurariam uma violação direta das proteções garantidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que assegura a liberdade de expressão.

Em uma nota oficial divulgada após o protocolo do pedido de revelia, a plataforma Rumble esclareceu um ponto crucial sobre o escopo da disputa. A empresa enfatizou que o processo em questão não questiona o direito do Brasil de aplicar suas próprias leis dentro de seu território nacional.

Pelo contrário, a discussão central, conforme apontado pela Rumble, reside na necessidade de a Justiça americana decidir se um juiz estrangeiro tem competência para emitir ordens com impacto direto dentro dos Estados Unidos. Tais ordens poderiam afetar empresas americanas, usuários residentes nos EUA e conteúdos protegidos pelo direito constitucional americano.

Essa distinção reforça que o debate judicial na Flórida foca na jurisdição e no alcance das decisões judiciais internacionais sobre o direito local, e não na validade das leis brasileiras em si.

A tramitação do pedido de revelia e a subsequente análise do mérito do caso em Tampa, Flórida, representam um complexo debate sobre os limites da soberania judicial em um contexto de internet globalizada.

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