Unshittification: A revolução cultural que desafia a era digital em 2026!
Após a “enshittification”, um novo movimento surge para combater a frieza da internet. Descubra como a busca por autenticidade e experiências humanas está transformando a forma como consumimos e criamos conteúdo
Em 2026, um conceito que floresceu no coração da crítica à economia digital deixou de ser apenas jargão técnico para se tornar uma síntese cultural do nosso tempo. Após anos debatendo a “enshittification” – a descrição de Cory Doctorow para o desgaste progressivo de produtos e serviços digitais, priorizando lucro em detrimento da experiência do usuário – um novo movimento ganhou força: a “unshittification”.
Em vez de nomear o problema, a unshittification passou a nomear o desejo de reparo, não como solução técnica, mas como um movimento cultural, uma reação direta à sensação generalizada de que a experiência digital se tornou excessivamente genérica e emocionalmente vazia.
A enshittification, como definida por Doctorow, descrevia um padrão recorrente na economia digital: a deterioração gradual de plataformas online, onde o foco se deslocava da experiência do usuário para maximizar o lucro, escala e retenção. O conceito, que começou a circular em artigos publicados pelo autor a partir de 2022, analisava modelos de negócios e incentivos econômicos em plataformas digitais.
A lógica era previsível: plataformas ofereciam experiências atraentes para conquistar usuários, depois reorganizavam seus sistemas para atender interesses comerciais, e, finalmente, a busca por maximização de receita levava à piora generalizada da experiência, afetando usuários, criadores e até anunciantes.
Exemplos comuns incluíam mecanismos de busca dominados por resultados patrocinados, redes sociais com redução do alcance orgânico e marketplaces que favoreciam seus próprios produtos.
O que impulsionou a unshittification foi um cansaço latente com a cultura digital de 2026, marcada por um excesso de conteúdo – grande parte automatizado e replicável. Termos como “slop” (lixo) ganharam espaço para descrever a enxurrada de material de baixa qualidade gerado em escala.
A demanda por autenticidade se tornou um critério de sobrevivência, em um ambiente onde algoritmos sabiam o que prendia a atenção, mas raramente criava sentido. A valorização de narrativas humanas, vozes reconhecíveis e experiências com intenção ganhou vantagem competitiva, não por serem mais “engajáveis”, mas por serem mais memoráveis.
Essa mudança se manifesta na valorização de formatos menos roteirizados, mais íntimos e declaradamente imperfeitos, como newsletters autorais, podcasts confessionais e séries baseadas em experiências reais.
A unshittification já se manifesta no cotidiano. No universo do marketing e das marcas, estratégias baseadas exclusivamente em performance começam a perder força diante de campanhas que investem em storytelling humano, participação do público e comunicação menos artificial.
A estética também muda: sai o visual excessivamente limpo e genérico; entram texturas, imperfeições, referências artesanais e escolhas visuais que remetem ao toque humano. Essa mudança não é nostalgia, mas uma reação. Mais do que uma mudança de linguagem, trata-se de uma mudança de valor.
A ascensão da unshittification indica algo maior do que uma tendência digital. Ela aponta para uma transformação no modo como escolhemos consumir, criar e nos relacionar com a tecnologia. Ela continua central mas, pela primeira vez em muito tempo, ela parece disposta a sair do centro do palco para devolver protagonismo à criatividade humana.
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