Vieira critica aumento tarifário americano sobre produtos brasileiros

Vieira denuncia aumento tarifário americano com críticas contundentes às exigências restritivas nos acordos comerciais.

16/07/2026 15:28

3 min

Mauro VIeira, ministro das Relações Exteriores do Brasil
Mauro VIeira, ministro das Relações Exteriores do Brasil

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, criticou nesta quinta – feira, dia 16, as exigências feitas pelos Estados Unidos que levaram à imposição de um aumento tarifário de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano.

Em declaração prestada à imprensa, Vieira afirmou categoricamente que os pedidos do lado estadunidense eram “irrazoáveis” e inviabilizavam qualquer possibilidade real de acordo comercial entre Brasil e EUA.

As demandas americanas consideradas inaceitáveis

Segundo relatos apurados pela EXAME durante negociações recentes, parte das condições impostas pelo governo dos Estados Unidos incluía desde a abertura total irrestrita da economia brasileira ao etanol produzido nos próprios americanos até um desmantelamento parcial da infraestrutura utilizada no sistema Pix nacional.

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“O que incomoda o nosso governo é justamente o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões excessivas nem às exigências descritas como totalmente desarrazoadas”, declarou Vieira sobre os termos negociados.

Ele reforçou ainda em sua fala que as demandas buscavam uma espécie de “capitulação” econômica do país sul – americano, citando exemplos onde setores inteiros seriam abertos exclusivamente aos EUA sem qualquer contrapartida para produtos brasileiros venderem na América americana.

Resposta a críticas políticas e balança comercial

O senador americano havia criticado o presidente brasileiro Lula pelo foco no bem – estar nacional acima dos interesses americanos, sugerindo que os tarifas impostas eram um preço inevitável pela postura brasileira em negociações internacionais.

“As declarações de [Marco] Rubio foram classificadas como inaceitáveis e ofensivas tanto ao povo quanto à administração do Brasil”, afirmou Vieira sobre as acusações feitas na rede social americana. Apesar da pressão política externa, ele manteve a posição firme: taxas elevadas não são justificativas para ações comerciais contra o país sulamericano.

Déficit comercial aponta favorabilidade aos EUA

Vieira utilizou dados econômicos recentes para sustentar seu argumento. Ele lembrou que no ano passado houve um déficit comercial entre os dois países avaliado em US 7,46 bilhões por parte brasileira com relação às importações dos Estados Unidos.

Outro ponto levantado pelo ministro foi sobre as tarifas de entrada; na verdade, durante todo o último ciclo anual foram identificados mais de sete décadas percentuais (76%) das mercadorias americanas entrando legalmente ao Brasil sem pagamento dessas taxas alfandegárias.

Isso incluía oito dentre dez principais produtos exportáveis pelos americanos naquele período específico do tempo. As conversas diplomáticas não avançaram: Márcio Elias Rosa se reuniu cinco vezes nas últimas seis semanas com Jamieson Greer, representante comercial americano, mas os resultados práticos permaneceram limitados e inconclusivos para a equipe negociadora brasileira.

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