Acled Revela Mais De Cem Mil Mortes Em Guerra Civil No Mianmar

Conflito armado no Mianmar deixa mais de cem mil mortos, segundo análise da Acled sobre cenário do Sudeste Asiático.

02/07/2026 08:07

3 min

Combatente da guerra em Mianmar junto a um cemitério no país, em foto de março de 2025 – foto: AFP
Combatente da guerra em Mianmar junto a um cemitério no país, em...

Mais de cem mil pessoas morreram desde que eclodiu a guerra civil em Myanmar após um golpe militar ocorrido em fevereiro de 2021, revelou nesta quarta – feira uma organização especializada na monitoração global de conflitos armados.

De acordo com os dados mais recentes da ONG norte – americana Acled (“Armed Conflict Location and Event Data”), confrontos no país asiático deixaram ao todo o número alarmante de 100.114mortes. Analistas consideram este cenário como sendo atualmente o conflito mais mortal visto na Ásia e não há nenhum balanço oficial sobre as baixas até agora.

O Golpe Militar que Desencadeou a Crise

Há cinco anos, um exército pôs fim abruptamente à democracia em Myanmar do Sudeste Asiático após derrubar o governo eleito vencedor do Prêmio Nobel da Paz (nome omitido). Na época dos acontecimentos, manifestações contra os militares foram duramente reprimidas pelas forças de segurança locais.

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Contudo, alguns ativistas pró – democracia deixaram suas cidades natais. Eles passaram então a combater diretamente dentro das áreas controladas pela junta militar através de movimentos armados liderados por minorias étnicas e hostis ao poder central estabelecido no país.

Impactos Humanitários: Deslocamento e Violência Constante

A situação é descrita como um conflito extremamente fragmentado; segundo Sun Mon Thant, analista da Acled, o caos se espalhou pelo território nacional em diversas frentes. Acled identificou mais de 1.200 grupos militares distintos neste cenário caótico que caracteriza Myanmar hoje na região do Sudeste Asiático.

As consequências são devastadoras para a população civil. Segundo dados das Nações Unidas (ONU), milhões tiveram que abandonar seus lares vivendo agora deslocados dentro dos próprios limites nacionais. Além disso, estima – se que uma pessoa em cada cinco sofra com insegurança alimentar no país.

A Vida Sob Bombardeios e Ofensivas Militares

Em Magway, as pessoas vivem dormindo cercadas pelo pouco material de vida conseguido levar consigo; contudo, fugir da zona de combate oferece apenas um alívio parcial aos moradoresÉ como se simplesmente estivessem mandando essas pessoas para a morte”, lamentou um homem jovem ao comentar sobre o serviço militar obrigatório instaurado desde fevereiro de 2024. O Estado – Maior forçou até cerca de 50 mil civis à fileira em uma tentativa clara de reforçar suas tropas.

A violência não é restrita às áreas frontais: há relatos constantes do exército atacando escolas e clínicas médicas no município Myit Chay (região Magway). Thaung Sein, moradora local com 45 anos, relatou que seu filho foi morto durante maio quando sua família fugia de intensa ofensiva militar na região.

Enquanto isso, a vida nas grandes cidades como Yangon ainda mantém relativa normalidade; porém, assassinatos esporádicos ocorrem frequentemente. Outras regiões são alvo recorrente dos bombardeios realizados por aviões militares fornecidos pela Rússia ou China.

O Cenário Político Pós – Golpe

Apesar da instabilidade generalizada e do alto número de vítimas civis em Myanmar (Burma), o líder golpista Min Aung Hlaing recebeu recentemente um nomeação presidencial após eleições que foram consideradas internacionalmente uma manobra para manter seu regime militar no poder sob fachada civil. Enquanto isso a crise humanitária se agrava: mais de 3,7 milhões pessoas tiveram obrigar – se a abandonar seus lares vivendo como deslocadas dentro dos limites nacionais. A situação é tão grave que alguns observadores apontam ainda os grupos armados financiando parte desse esforço bélico com tráfico ilegal.

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