Adriana Oliveira enfrenta desafios logísticos ao buscar tratamento contra câncer de mama

Adriana Oliveira luta contra câncer de mama enfrentando desafios logísticos que expõem a crise no acesso à saúde no Brasil.

14/07/2026 15:09

4 min

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Adriana Reis de Oliveira, carioca paulistana em tratamento contra câncer de mama, teve sua rotina drasticamente alterada pela necessidade diária e exaustiva viagem entre o Grajaú até o Instituto da Mulher.

O deslocamento era um desafio que pesava tanto quanto a própria doença; por isso, ela conseguiu se hospedar há cinco minutos do hospital graças a benefícios oferecidos pelo Airbnb — uma história real sobre como os pacientes buscam normalidade mesmo diante das adversidades mais graves.

A dificuldade logística no acesso à saúde

Essa situação não é isolada. Um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) aponta dados preocupantes: em Brasil, houve um aumento superior ao triplicar na proporção de pessoas internadas fora da sua região básica de atendimento entre o período de 2010 e até 2023.

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Segundo a análise do IEPS, esse movimento crescente deve principalmente aos procedimentos que exigem alta complexidade médica, os quais estão concentrados majoritariamente na Região Sudeste. Na prática, isso significa que muitas famílias brasileiras enfrentam constantemente dilemas logísticos semelhantes àquele vivido por Adriana Reis de Oliveira:

para receber tratamento adequado, é necessário se mudar — mesmo temporária ou parcialmente— para uma cidade distante de onde residem habitualmente; frequentemente essa jornada precisa ser feita sem apoio familiar direto.

Lançamento Estadias Médicas e o suporte ao paciente

É justamente esse cenário difícil que a organização Airbnborg busca combater com um novo programa: as Estadias Médicas. Em parceria inédita no Brasil com instituições como Instituto Beaba (focado em crianças e adolescentes oncológicos), INCAvoluntário e Child Fund, esta iniciativa foi anunciada nesta terça – feira na plataforma do grupo caritativo da empresa.

O objetivo é oferecer hospedagens gratuitas via plataformas de aluguel por temporada para pacientes acompanhados ou famílias inteiras precisando se deslocar pelo país; além disso, o custo integral das estadias será coberto pela fundação. A lógica que sustenta a ação vai muito além dos desastres naturais: “Hoje não há um desastre grande escala em São Paulo.

Mas para uma família, [o câncer] pode ser um desastre”, explica Christoph Gorder, diretor executivo do Airbnborg e responsável pelas ações humanitárias na organização.

Gorder ressalta ainda como os parceiros locais são fundamentais no processo financeiro e de apoio social. A seleção é feita por essas organizações — Instituto Beaba ou INCAvoluntário —, garantindo também o recebimento de suporte adicional às famílias afetadas, incluindo alimentação adequada, transporte necessário até as unidades médicas e ajuda psicológica contínua ao paciente. O financiamento não depende apenas da caridade: a maior parte dos recursos vem diretamente aportada pelo próprio Airbnb (que abre mão das comissões habituais sobre reservas), complementado pela doação voluntária em que milhares de anfitriões destinam um percentual fixo – cerca de metade desses fundos vêm desse aporte direto.

Experiência global na resposta humanitária

A experiência acumulada no atendimento emergencial inspira o programa Estadias Médicas. O Airbnborg tem construído seu histórico respondendo crises diversas, como foi visto recentemente durante os esforços para resgatar equipes internacionais da Venezuela após terremotos devastadores.

O diretor Gorder conta ainda com uma trajetória robusta nesse setor: “Já fizemos 101 desastres neste ano”, afirma ele em referência às múltiplas respostas a catástrofes ao longo do tempo e nos últimos anos.

Essa atuação não se limita apenas aos eventos de grande escala; desde 2020 até hoje, globalmente pela organização foram oferecidas um total acumulado de 1,6 milhão de noites de hospedagem destinadas à mitigação ou resposta a situações críticas. No Brasil, o histórico já inclui apoio durante as enchentes históricas que atingiram Rio Grande do Sul em 2024, quando acolheram tanto voluntários quanto famílias desalojadas com suporte governamental. Para Gorder, portanto, “a fronteira entre desastre climático e emergência médica individual é… uma questão de escala”, mostrando como sua tecnologia pode ser usada para transformar instintos humanos vitais em ajuda estruturada.

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