B3 Mantém Funcionários por Tempo Quase Duplicado Comparado ao Brasil

B3 registra permanência prolongada de funcionários, contrastando com tendências nacionais e impulsionado por flexibilidade laboral.

07/07/2026 10:14

4 min

B3: pessimismo extremo acende sinal de compra, diz XP.
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Enquanto a média do tempo que os brasileiros permanecem no mesmo emprego caiu drasticamente nos últimos quatro anos — de acordo com dados da FecomercioSP —, um levantamento interno na B 3 mostra uma realidade muito diferente para seus funcionários.

A companhia opera o mercado brasileiro em contraste direto: enquanto nacionalmente esse prazo encurtou cerca de 27% entre 2021 e 2025, passando dos 25,2 meses registrados anteriormente para apenas 18,4 meses, lá dentro as pessoas ficam, em média, cinco anos e onze meses.

Esse número é quase quatro vezes maior que a taxa mediana do país.

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Os três pilares por trás da retenção no setor financeiro

Renata Caffaro, diretora de pessoas e comunicação interna na B 3, explica que essa diferença não se deve ao acaso ou uma única iniciativa isolada; trata – se o resultado de aplicar “uma fórmula” composta por ingredientes estratégicos: um modelo flexível de trabalho inédito, alto investimento contínuo em treinamento especializado e uma proposta voltada para atender às demandas dessa geração profissional atual.

O primeiro pilar aborda justamente como funciona esse ambiente. Diferentemente das maioria empresas do mercado financeiro — especialmente aquelas forçadas a retornar integralmente aos escritórios —, a própria companhia manteve seu formato híbrido desde antes da pandemia:60% no escritório físico combinados com 40% remoto, além dos horários serem considerados flexíveis.

A importância estratégica do regime hibrído

Essa manutenção não foi apenas um ajuste de emergência; era o modelo já estabelecido pela B 3 há anos e que facilitou muito mais sua transição durante os períodos de isolamento social.

“Durante todo esse período em que muitas companhias voltaram [ao presencial], nós sempre mantivemos nossa proposta”, afirma Caffaro. Com a passagem do tempo, essa capacidade de oferecer modelos remotos deixou de ser visto como mero benefício interno para se tornar uma peça – chave no processo de recrutamento da empresa.

O conhecimento institucional gera valor. Em segundo lugar está conta com capital intelectual acumulado na própria companhia (o chamado “conhecimento tático”). A B 3 concentra tecnologia avançada e serviços financeiros complexos sob o mesmo guarda – chuva operacional; por isso grande parte das funções só existe ali.

Muitas vezes, um profissional que chega ao mercado conhece os produtos negociados em bolsa, mas não domina a operação diária. Formar esse nível é demorado demais para ser replicável fora do ambiente corporativo principal. Por essa razão, há investimentos anuais superiores às 150 mil horas de formação, com foco especial (continuação)

Investimento contínuo: IA como motor

A força da capacitação e o recrutamento interno

O investimento na mão – de – obra passa por planos individuais detalhados (PDI), fazendo com que Caffaro trate os processos internos quase como uma consequência natural dos esforços feitos nas pessoas desde a entrada delas.

“É realmente um ciclo em duas vias”, explica ela. “Nós investimos nos colaboradores, mas eles trazem esse retorno para a B3”. O conhecimento adquirido dentro do grupo facilita muito mais adaptações quando há mudança de setor ou cadeira.

Por fim, terceiro ingrediente é talvez o menos óbvio: aceitar e planejar parte da rotatividade profissional esperada no mercado atual. A diretora aponta mudanças geracionais na forma de escolher empregadores; enquanto gerações anteriores priorizavam performance salarial, hoje se valoriza flexibilidade junto com diversidade e uma segurança ampla — que não significa apenas saúde física.

O futuro em meio à Inteligência Artificial

“Não estou falando só de estar saudável”, complementa Caffaro ao citar a necessidade de falar sobre “segurança financeira, psicológica ou mental”. Em vez de ver quem sai como um risco para o quadro funcional, a B 3 mantém as portas abertas aos talentos internos. Muitos dos colaboradores saem por experiência no mercado externo, mas acabam retornando pela atração da própria companhia.

Os quase seis anos passados na empresa dependem agora do sucesso contínuo dessa formação e serão testados pelo avanço rápido da inteligência artificial; portanto, ela mapeou continuamente competências internas com vistas à realocação em funções novas conforme tecnologias assumirem tarefas que antes eram manuais.”

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