Banco Digimais: Polícia Federal bloqueia R$ 670 milhões em investigação

Polícia Federal bloqueia R$ 670 milhões em investigação contra Banco Digimais, suspeito de fraudes e manipulação de ativos

23/06/2026 11:12

3 min

Banco Digimais
Banco Digimais

A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (23), a Operação Miragem, investigando supostas práticas fraudulentas envolvendo o Banco Digimais. Em decorrência das apurações, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 670 milhões em ativos de investigados.

As autoridades suspeitam que o banco teria utilizado fundos de investimento para maquiar um rombo financeiro de proporções bilionárias, desviando o foco da real saúde patrimonial da instituição.

Investigação apura superavaliação de ativos e gestão fraudulenta

Segundo informações da Polícia Federal, a investigação aponta que o Banco Digimais, que em certo momento concentrou suas operações em crédito consignado e financiamento de veículos, passou por um ciclo de crescimento seguido por uma severa deterioração financeira, resultando em prejuízos expressivos.

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Entre os anos de 2023 e 2024, o banco intensificou a emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas que superaram 110% do CDI. Essa movimentação financeira foi particularmente relevante após a decretação de liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025.

A PF detalha que o banco teria exposto aproximadamente R$ 600 milhões a carteiras de crédito da instituição falida. Para viabilizar a emissão desproporcional de títulos de captação, os investigados teriam realizado uma “sistemática superavaliação de ativos” inseridos nos fundos administrados pela corretora ID.

Essa manobra, segundo os investigadores, tinha o objetivo de inflar artificialmente o patrimônio do Banco Digimais. A Polícia Federal concluiu que há fortes evidências de gestão fraudulenta e de inserção de dados falsos nos demonstrativos contábeis da empresa.

Caso Hermon: A compra de direitos de indenização judicial

A investigação também focou em operações específicas de fundos de investimento. Em maio, o jornal Estadão havia reportado que diversos fundos do banco foram utilizados para ocultar prejuízos multimilionários, e essa irregularidade foi apontada até pela auditoria independente, obrigatória para a entrega de demonstrações financeiras ao Banco Central.

Um exemplo notório é a aquisição de cotas do Fundo de Direitos Creditórios (FDC) chamado Hermon. A controladora do banco comprou R$ 741 milhões em cotas que o Digimais possuía no fundo.

O ativo que fundamenta o valor do Hermon é um direito de receber indenização judicial obtido por herdeiros da antiga Companhia de Mineração e Siderurgia, um processo ligado à criação da Vale do Rio Doce, ocorrido em 1940. A Justiça Federal do Rio condenou a União a indenizar acionistas e seus descendentes em valores atualizados equivalentes a 7 mil ações da Vale.

Embora o fundo estime receber R$ 2,2 bilhões, a ação judicial remonta aos anos 1990, e o cálculo do pagamento gera controvérsia judicial, podendo levar anos para ser resolvido. A Polícia Federal aponta que, embora o fundo tenha adquirido esses direitos por R$ 71 milhões, diversas reavaliações de seu patrimônio elevaram esse valor para os R$ 741 milhões.

A PF também confirmou que está realizando buscas nos endereços de José Roberto Giancoli Filho e Rodrigo Balassiano, proprietários da ID, gestora dos fundos do Digimais, suspeitos de terem auxiliado na manipulação contábil dos valores.

A Operação Miragem reforça a fiscalização sobre a transparência do setor financeiro, exigindo que as instituições mantenham a integridade dos dados e a correta representação de seus ativos perante os órgãos reguladores.

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