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A crescente integração de fontes de energia renovável, como a solar e a eólica, tem exposto uma necessidade técnica fundamental nos sistemas elétricos: a variação na geração ao longo do dia exige o respaldo de fontes de energia controláveis.
Nesse cenário, usinas termelétricas a gás natural voltaram a ser protagonistas nas discussões sobre a expansão da capacidade de geração, sendo vistas como peças essenciais para garantir a estabilidade de sistemas com oferta energética cada vez mais incerta.
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A Necessidade de Flexibilidade em Sistemas Energéticos
À medida que a matriz energética se torna mais dependente de fontes intermitentes, a flexibilidade operacional passa a ser um componente crítico para a segurança e a confiabilidade do fornecimento. Os operadores de sistema já observavam essa tendência, mas o aumento da penetração de energia limpa intensificou o debate sobre a necessidade de fontes que possam ser acionadas sob demanda.
Neste contexto, o gás natural emerge como um vetor estratégico. Contudo, o desenvolvimento de termelétricas a gás em uma determinada região não é um processo simples, apresentando um grau elevado de complexidade logística e de infraestrutura. A principal questão que precisa ser resolvida é a origem do combustível.
Desafios Logísticos e Modelos de Fornecimento Global
Embora reservas significativas de gás existam, como as localizadas em Vaca Muerta, o transporte desse combustível até os centros de consumo representa um gargalo logístico considerável. A experiência internacional mostra diferentes caminhos para superar essa barreira.
Países como o México expandiram sua capacidade de geração utilizando gasodutos interconectados com os Estados Unidos. Já nações como Chile, Panamá e El Salvador optaram pela importação de Gás Natural Liquefeito (GNL), um modelo que exige investimentos específicos em infraestrutura de recebimento e regaseificação.
Essa tendência de integração é visível em projetos de grande porte. O complexo Porto de Sergipe I, no litoral brasileiro, é um exemplo notável, pois a usina está diretamente associada a uma infraestrutura offshore capaz de receber navios de GNL. Similarmente, o desenvolvimento da planta Costa Norte no Panamá seguiu essa lógica, construindo o terminal de GNL para abastecer a usina e, posteriormente, fomentar um polo de geração próximo ao Canal do Panamá.
Portanto, é crucial entender que a usina de geração é apenas uma parte do investimento total. O ponto mais sensível e determinante para o sucesso do projeto é a cadeia de suprimento do gás. Além disso, o custo de capital (CAPEX) de novos empreendimentos está sob pressão crescente, impulsionado pela demanda global por turbinas e infraestrutura de GNL, já que vários países planejam ou constroem terminais simultaneamente.
Um risco de longo prazo que deve ser gerenciado é o preço do combustível, que pode afetar os projetos por décadas. Outro fator de risco é a remuneração da usina. Em mercados como o Brasil e o Chile, a previsibilidade de receita é garantida por contratos de longo prazo obtidos em leilões; em outras regiões, depende de acordos com estatais ou pagamentos por capacidade instalada.
Desenvolver uma termelétrica a gás na América Latina, portanto, configura-se como um complexo exercício de gestão de riscos que abrange suprimento, infraestrutura, prazos e mecanismos de receita. O recente histórico no Brasil, que contratou cerca de 15 gigawatts (GW) em termelétricas a gás, comprova a alta demanda por potência firme.
A valoração dos atributos proporcionados por essa fonte — como energia, potência e flexibilidade — exige, acima de tudo, mecanismos claros e previsíveis de receita para viabilizar o desenvolvimento.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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