Boo aponta diferenças absurdas nos preços de medicamentos no Brasil

Um estudo recente apontou que o mesmo medicamento genérico — como é o caso do cetoconazol —, vendido sob idêntico registro e código de barras, custa R 12,1em uma farmácia online especializada enquanto chega a ser negociado por R 59,99 em outra rede concorrente.. O mapeamento não se limita ao custo; ele expõe como os preços dos produtos varia drasticamente entre as redes varejistas sem qualquer padrão visível para quem compra no balcão ou pela internet.. A análise foi realizada pelo boo (deeptech data driven), empresa responsável por rastrear semanalmente mais de meio milhão de itens farmacêuticos nas doze maiores drogarias operando no Brasil.
Variação extrema e o controle da gôndola. Os dados coletados foram extraídos diretamente dos sites de comércio eletrônico das farmácias, simulando a experiência real do consumidor comum. O levantamento comparou produtos utilizando códigos EAN — que garantem tratar se exatamente do mesmo item em diferentes estabelecimentos comerciais.
A diferença de preço para um único comprimido pode ultrapassar 390%, revelando falhas estruturais na distribuição farmacêutica brasileira.
Entre os medicamentos com maior discrepância estão aqueles considerados essenciais ou para uso contínuo, como norfloxacino, enalapril e ciclobenzaprina.
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Para esses itens específicos, as diferenças encontradas entre a rede mais barata e a mais cara superam 300%.
Segundo Vinicius Cainelli, CTO da boo, o fenômeno aponta um descompasso no controle de preços: “O fabricante decide o preço de fábrica, mas quem monta a gôndola, física ou digital é a farmácia.”
A empresa afirma que seu objetivo foi justamente mostrar ao público consumidor produto por produto aquilo que realmente chega até ele.
Impacta sortimento em outras categorias. Além dos remédios controlados e comuns, os pesquisadores mapearam como variações na exposição do estoque ocorrem entre as redes.
Uma mesma marca pode ter um portfólio vastíssimo; ela aparece com mais de 800 produtos ativos numa rede líder enquanto está presente com menos de 150 itens num estabelecimento regional — uma diferença considerável seis vezes maior no número de gôndolas expostas para a mesmo empresa que vende nacionalmente.
O padrão não se restringe apenas à saúde: cosméticos, suplementos alimentares e artigos de higiene também foram comparados pela boo em busca desse descompasso estrutural nos preços.
Os achados indicam variação superior aos 250% nessas categorias secundárias do varejo farmacêutico.
Visão limitada dos fabricantes. Para Vinicius Cainelli, o resultado da pesquisa escancara um problema sistêmico no setor: Os fabricantes têm pouca ou nenhuma visibilidade sobre como e por quanto seus produtos chegam ao consumidor final. Essa falta de transparência dificulta tanto a defesa das margens operacionais do produto quanto qualquer tentativa rápida para identificar rupturas em estoque na ponta.
Em resumo, os dados revelam que as farmácias especializadas em preços baixos conseguiram manter consistentemente o piso mais baixo nos comparativos gerais entre redes varejistas online.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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