Brasil reduz impacto de tarifas americanas com novas isenções

O impacto da imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros está sendo menos intenso do que o esperado, segundo análises feitas nesta quinta – feira, 16 de julho.
A noite passada foi marcada pela divulgação oficial dos itens a serem tarifados pelo United States Trade Representative (USTR), após meses intensos de negociação comercial entre os países. As novas taxas entrarão em vigor no dia 22 de julho e atingem setores como etanol, calçados, máquinas agrícolasde construção, vestuário — exceto roupas usadas —, açúcar orgânico, papel, componentes para maquinários elétricos ou veículos feitos de borracha.
O escopo das tarifas: o que entra na sobretaxa
Embora muitos produtos tenham sido incluídos nas listas iniciais do USTR, houve diversas alterações nos itens afetados pela nova tarifa inicial de 25%. A celulose de alta pureza é um exemplo; ela havia constado em lista preliminarmente isenta e foi retirada após acusações apontando possíveis benefícios a produtores brasileiros oriundos de desmatamento ilegal no país.
Leia também
Por outro lado, há uma extensa gama de bens mantidos fora da cobrança adicional (sobretaxa). Segundo informações divulgadas pelo próprio USTR, commodities vitais como carne bovina, café, laranja com suco ou partes destinadas à fabricação de aviões permanecem livres do aumento tarifário.
Além disso, minérios diversos, fertilizantes, couros, madeiras tropicais, frutos do mar, insumos farmacêuticos, antiguidades e obras de arte também não serão taxados pela medida.
Origens das tarifas: a Seção 301
A decisão comercial encerra formalmente uma investigação que vinha sendo conduzida sob o guarda – chuva da Seção 301 na Lei de Comércio dos EUA. Este processo foi aberto em julho de 2025 para apurar se certas práticas brasileiras seriam consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” ao comércio americano.
As investigações focaram, entre outros pontos, no combate à corrupção e propriedade intelectual; nas regras sobre acesso do etanol brasileiro aos mercados americanos; nos pagamentos eletrônicos (citando casos como Pix); além das tarifas preferenciais concedidas a outras regiões globais e as políticas relacionadas ao desmatamento. A medida coloca o Brasil com um nível restritivo elevado globalmente para acessar os EUA. A Amcham Brasil estima que isso afetará diretamente mais de US 11 bilhões em exportações industriais brasileiras e também aquelas provenientes da agropecuária nacional.
Análises especializadas apontam impacto limitado
O mercado financeiro, por sua vez, aponta uma leitura inicial de contenção do choque comercial. Felipe Sant Anna, analista pela Axia Investing, sugere que a tarifa de 25% deve impactar pouco o volume total enviado pelo país aos Estados Unidos. Essa visão é reforçada porque as maiores commodities — como suco de laranja, café ou carne —, estão garantidas na lista extensa das isenções tarifárias para os EUA.
Para Étore Sanchez, da Ativa Investimentos, há um efeito líquido pequeno sobre a macroeconomia brasileira: ele observa que produtos mais atingidos (como calçados e etanol) possuem peso relativamente baixo no montante geral exportado em comparação com outros setores.
Além disso, espera – se uma neutralização dos efeitos inflacionários; enquanto barreiras comerciais geram pressão desinflacionária pela oferta doméstica excessiva, o pior cenário cambial tende a pressionar preços por via oposta. A Câmara de Comércio Brasil Estados Unidos confirma ainda essa preocupação ao alertar que as tarifas podem levar à participação americana do comércio exterior brasileiro aos menores patamares históricos.
Risco adicional: investigação sobre trabalho forçado
No entanto, há um risco comercial pendente e acelerando os capítulos dessa “novela”. O USTR está conduzindo uma segunda apuração paralela focada em alegações de trabalho forçado envolvendo quase 90 países. Embora o processo não tenha chegado a conclusão até agora, foi apresentada preliminarmente proposta para adicionar mais 12,5% como tarifa extra. Se essa nova taxa fosse aplicada junto aos já confirmados 25%, isso elevaria significativamente a alíquota total da tributação americana brasileira podendo chegar a impressionantes 37,5%.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
Aqui no ZéNewsAi, nossas notícias são escritas pelo José News! 🤖💖 Nós nos esforçamos para trazer informações legais e confiáveis, mas sempre vale a pena dar uma conferida em outras fontes também, tá? Obrigado por visitar a gente, você é 10/10! 😊 Com carinho, equipe ZéNewsAi 📰 (P.S.: Se encontrar algo estranho, pode nos avisar! Adoramos feedbacks fofinhos! 💌)


