CMA CGM abastece navio porta-contêineres com etanol no Porto de Santos

O Porto de Santos, no litoral paulista, realizou neste último domingo, dia 12, o primeiro abastecimento com etanol em um navio porta – contêineres transoceânico do Brasil.
A operação pioneira contou com a presença da embarcação CMA CGM IRON e marcou uma etapa crucial na busca por combustíveis mais limpos para o transporte marítimo nacional. O gigante portuário recebeu energia proveniente do etanol— combustível que pode emitir cerca de 70% menos CO₂ comparado ao bunker tradicional fóssil utilizado pelos petroleiros.
Logística complexa viabiliza uso inédito de biocombustível
Para tornar possível essa estreia, foi necessária grande coordenação logística envolvendo diversos atores: Copersucar forneceu os tanques de etanol até Porto de Santos; AGEO Terminais operou a infraestrutura dedicada no local;
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O abastecimento final ocorreu por meio de uma barcaça especializada e contou com o apoio técnico da Bunker One, CMA CGM, Everllence e demais instituições. A operação demonstra que é factível integrar combustíveis alternativos à rotina portuária brasileira em padrões internacionais rigorosos.
Etanol como alternativa para descarbonizar frotas globais
A transição energética do setor marítimo está acelerando globalmente, impulsionada pela necessidade dos armadores reduzirem suas emissões gasosas (GEE). O etanol surge nesse cenário não apenas pelo baixo teor de CO₂, mas também pelas características comerciais defendidas por quem atua no segmento: disponibilidade escalável na cadeia produtiva nacional já consolidada.
O navio CMA CGM IRON é um modelo com capacidade impressionante de 13 mil TEUs — unidades equivalentes aos contêineres padrão —, equipado especificamente para operar em motores tricombustíveis certificados que aceitam o uso do biocombustível.
Metas ambiciosas da indústria naval brasileira
A companhia responsável pela embarcação, CMA CGM, reforça seu compromisso ambiental ao planejar utilizar cerca de 200 navios movidos por energias de baixo carbono até 2031. O objetivo maior desse esforço estratégico visa alcançar a neutralidade líquida de carbono na atividade portuária e logística paulista já em 2050.
Essa estratégia se complementa com ações recentes no Porto: o grupo concluiu ainda este ano (em 2025) a aquisição da Santos Brasil, que opera o terminal contêineres mais movimentado do país.
O futuro energético apontam os fornecedores
Copersucar foi responsável pelo suprimento dos biocombustíveis. A empresa detalhou que seu etanol faz parte de uma cadeia certificada cuja expansão é majoritariamente feita por meio das áreas degradadas em pastagens.
“Estamos construindo as condições para que o etanol passe a integrar, de forma competitiva, a matriz energética da navegação”, afirmou Tomás Manzano, presidente da Copersucar, classificando este abastecimento como muito mais profundo que apenas pioneiro.
Em paralelo ao avanço do setor com motores especializados — sendo IRON um modelo entre 12 porta – contêineres similares —, Bunker One aponta potencial crescente. Segundo esta empresa, já existem cerca de 70 embarcações na frota global aptas a receber metanol ou até mesmo etanol hoje; espera – se entregar outras 400 unidades nos próximos anos capazes de operar sem depender exclusivamente dos combustíveis fósseis tradicionais.
A operação em Santos não só testa uma tecnologia avançada como também posiciona o porto paulista para se consolidar no mercado sulamericano de abastecimento marítimo.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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