Cannect: Hospital Inova com Ecossistema de Saúde e Cannabis Medicinal

Cannect: Como um Hospital Despertou a Ideia de um Ecossistema de Saúde com Cannabis
Em 2021, o paulistano Allan Paiotti, enquanto liderava um hospital em meio à pandemia, identificou um problema recorrente: muitos pacientes com doenças crônicas voltavam ao hospital não por emergências, mas por não conseguirem manter seus tratamentos em casa.
Essa observação deu origem à Cannect, uma healthtech que se tornou o maior ecossistema de saúde da América Latina focado no acompanhamento de pacientes com condições crônicas, utilizando a cannabis medicinal como principal ferramenta. A empresa, que encerrou 2025 com um faturamento de R$ 60 milhões, projeta um crescimento de mais de 25% neste ano, atingindo R$ 75 milhões.
A Origem da Ideia: Um Ciclo Repetitivo de Internações
A ideia inicial da Cannect surgiu da percepção de que a continuidade do tratamento era um desafio crucial para pacientes crônicos. Paiotti, que antes atuava em setores como varejo e logística, assumiu o comando do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em 2019 e observou que muitos pacientes com doenças crônicas enfrentavam ciclos repetitivos de internações.
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O problema não residia na falta de diagnóstico ou na ausência de medicamentos, mas na falta de acompanhamento constante. “Setenta por cento dessas pessoas não ficam engajadas no tratamento. Ninguém acompanha ativamente esse paciente”, afirmou Paiotti.
Uma Jornada Digital para Pacientes e Médicos
A tese que impulsionou a Cannect foi a de criar uma jornada digital que conectasse médicos, pacientes e terapias, permitindo um acompanhamento contínuo da evolução do tratamento. A empresa opera com o que chama de “linhas de cuidado”, protocolos específicos para diversas condições, como autismo, dor crônica, Alzheimer, ansiedade e insônia.
Enfermeiros e equipes multidisciplinares acompanham os pacientes, coletando dados que são enviados aos médicos para análise.
Cannabis Medicinal: Um Modelo de Acesso
A cannabis medicinal ainda gera dúvidas, frequentemente associada ao uso recreativo da planta. No entanto, o modelo da Cannect está distante desse cenário. A empresa não cultiva nem fabrica produtos, atuando como uma ponte entre pacientes, médicos e fornecedores, cuidando da burocracia necessária para o acesso aos tratamentos.
O processo envolve a avaliação do médico, a prescrição, a assistência na documentação regulatória e a entrega do produto, geralmente em forma de óleos administrados em gotas sob a língua, além de gomas e, em casos específicos, flores vaporizadas.
Expansão e Novos Horizontes
Embora a cannabis represente 80% das operações da Cannect, a empresa busca reduzir a dependência desse mercado, incorporando novas terapias, como suplementação, superalimentos e medicamentos para obesidade, como o tirzepatida. A lógica é combinar abordagens diferentes para uma mesma condição clínica.
Paiotti enfatiza que a Cannect nasceu para cuidar ativamente de pacientes crônicos, utilizando múltiplas terapias. A empresa também aposta em inteligência artificial para auxiliar médicos na análise de tratamentos e no uso de evidências científicas, sem substituir a capacidade de investigação e sensibilidade dos profissionais.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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