Copa de 2026: Fervor e o Crescente Desafio da Sustentabilidade na Coleção!

A Copa do Mundo de 2026 e o Crescente Desafio da Sustentabilidade
A empolgação com a Copa do Mundo de 2026 já se faz sentir, e não apenas nos bolsos dos torcedores brasileiros. Desde o início de maio, os álbuns da Panini estão presentes em bancas de jornais, livrarias e supermercados, refletindo o fervor crescente por completar a coleção.
Esse interesse imediato tem gerado números impressionantes, com a plataforma de delivery iFood e a venda de 7 mil álbuns na primeira semana de vendas, superando em muito o volume comercializado no mundial de 2022.
O torneio, que reunirá 48 seleções pela primeira vez na história – a maior Copa realizada, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México – promete um álbum mais extenso e, consequentemente, um aumento no volume de resíduos. Essa realidade tem levado a uma discussão importante sobre sustentabilidade, que se revela mais complexa do que a simples ação de abrir um pacotinho.
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O Impacto dos Resíduos: Dois Destinos Diferentes
Cada criança que abre um álbum de figurinhas contribui para a produção de dois tipos de resíduo. O primeiro é o próprio envelope, uma embalagem multicamada composta por papel, tinta, verniz e, em alguns casos, camadas plásticas ou de alumínio.
Apesar de ser considerado reciclável, essa embalagem raramente é encaminhada à coleta seletiva, terminando, em vez disso, em aterros sanitários. A complexidade da sua composição exige uma separação industrial prévia, o que dificulta o processo de reciclagem.
O segundo resíduo, e o mais problemático, é o verso da figurinha – o “liner”, como é conhecido – um papel siliconado que serve de base para o adesivo. Devido à camada de silicone, esse material não é aceito na reciclagem convencional, sendo classificado como rejeito nas triagens comuns e, consequentemente, destinado ao aterro.
Sem tratamento especializado, o liner se torna lixo.
Uma Solução Surge da Sustentabilidade
Felizmente, uma solução está em desenvolvimento, impulsionada por uma iniciativa que surgiu, curiosamente, a partir de uma coleção de figurinhas. Em 2022, Sérgio Talocchi, gerente de sustentabilidade da Natura, recolheu os liners de seu condomínio e da escola dos filhos, encaminhando-os para a Polpel, empresa especializada na reciclagem desse material.
Essa iniciativa pessoal se transformou em uma campanha que se espalhou pelo Brasil, com empresas como a Avery Dennison, maior fabricante de liner do mundo, entrando no projeto.
A Economia Circular em Ação
A Polpel, operadora na América Latina com tecnologia para reciclar liner de autoadesivo sob a lógica da economia circular, separa a celulose do silicone. A celulose resultante é certificada e comercializada para fabricantes de papel, como a MD Papéis, que a utiliza na produção de papel cartão.
A campanha AD Circular, lançada em 2019, transforma resíduos de liner em produtos como papel toalha. É a economia circular em ação: o verso da figurinha retorna à cadeia produtiva como outro produto de papel.
Números que Revelam a Escala do Problema
Em 2023, a campanha chegou a 244,5 kg de liners, ou quase 1 milhão de versos de figurinhas. O programa AD Circular já processou mais de 6 mil toneladas de resíduos de liner desde sua criação. O volume gerado por uma Copa com 48 seleções, vendida também em plataformas digitais como nunca antes, tem potencial de escala gigantesca – e a maior parte desse resíduo, sem um ponto de coleta específico, vai para o aterro.
O consumidor pode guardar os liners em vez de jogá-los fora. Empresas, colégios, condomínios, associações e cooperativas podem montar pontos de coleta e encaminhar o material à Polpel.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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