Tarifas e crise no agro! EUA sob pressão em 2026: fertilizantes caros ameaçam o preço dos alimentos. Tensão EUA-Irã no Estreito de Ormuz agrava cenário. Saiba mais!
O produtor rural americano enfrenta, no início de 2026, uma situação complexa, marcada por duas forças principais que impactam diretamente sua produção. A primeira, e talvez mais imediata, é a manutenção das tarifas compensatórias impostas sobre fertilizantes fosfatados importados, uma medida implementada durante o governo Biden.
A segunda, e igualmente preocupante, é a crescente tensão militar entre os Estados Unidos e o Irã, que ameaça o Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de fertilizantes.
Juntas, essas duas pressões comprimem a oferta de insumos, elevam os custos de produção e, inevitavelmente, afetam o preço final dos produtos agrícolas no supermercado. O fertilizante não é um item secundário na agricultura moderna; é um dos principais insumos, sendo responsável por cerca de 38% dos custos operacionais do trigo, segundo projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Essa dependência significa que qualquer aumento no preço do fertilizante se traduz em um impacto direto na rentabilidade da fazenda.
Em abril de 2021, o Departamento de Comércio americano impôs direitos compensatórios sobre importações de fertilizantes fosfatados do Marrocos e da Rússia, em resposta a uma investigação iniciada pela Mosaic Company, produtora de fosfato com sede na Flórida.
A alíquota inicial sobre a OCP, estatal marroquina e maior exportadora de fosfato do mundo, foi de 19,97%. Produtores russos, como PhosAgro e EuroChem, receberam tarifas de 9,19% e 47,05%, respectivamente, conforme divulgado no Federal Register. O objetivo declarado era proteger a indústria doméstica de subsídios estatais estrangeiros.
No entanto, o efeito prático foi a exclusão gradual do fosfato marroquino do mercado americano. A tarifa elevou o preço do fosfato diamônico (DAP) em 28,6% durante o período em que a alíquota operou na taxa inicial. O Agriculture and Food Policy Center da Universidade Texas A&M calculou que os produtores americanos gastaram US$ 6,9 bilhões entre 2021 e 2025, o que equivale a R$ 35,6 bilhões na cotação atual.
As alíquotas oscilaram desde 2024, com a OCP operando com tarifa superior a 16% e a Apatit, subsidiária do grupo PhosAgro, com 18%.
Adicionalmente, a tensão com o Irã adicionou uma camada de risco significativo. A ameaça iraniana de fechar o Estreito de Ormuz, que movimenta um quarto do comércio mundial de petróleo e volumes expressivos de fertilizantes fosfatados, intensificou a incerteza.
Fosfatos como o DAP e o monofosfato de amônio (MAP) dependem de enxofre para sua produção, e grande parte das exportações globais desse mineral passam pelo Estreito. O impacto já se refletiu nos preços do enxofre, que triplicaram de valor em 2025, agravando ainda mais as margens de produção.
Com o tráfego comprometido, parte dos insumos pode não chegar a tempo para o plantio de primavera nos EUA, que ocorre entre março e maio.
Entre 20% e 25% dos produtores americanos ainda não adquiriram todos os fertilizantes necessários para a safra de 2026. A produção doméstica de fosfatos está concentrada em poucas empresas, com Nutrien e Mosaic sendo as maiores produtoras. O secretário adjunto de Agricultura, Stephen Vaden, acusou as duas companhias de operar um “duopólio” e controlar a oferta.
O Departamento de Justiça abriu investigação para apurar se houve conluio na formação de preços. A Associação Nacional de Produtores de Trigo (NAWG) pediu formalmente à ITC a revogação das tarifas, argumentando que elas impuseram uma carga financeira insustentável aos produtores, com quase US$ 1 bilhão em custos adicionais acumulados entre 2021 e 2025, principalmente nos estados de Dakota do Norte, Kansas e Montana.
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