Gala Rizzatto lança hino global após experiência budista

De estádios esportivos ao protesto social nas ruas, o refrão repetitivo “nanana” se tornou um hino global com significado profundo. A canção Freed From Desire, interpretada por Gala Rizzatto, transcendeu as pistas de dança para virar símbolo em eventos internacionais — desde torcedores nos estúdios da América até manifestações políticas.
Poucos imaginam que esse hit eurodance não nasceu como música pop: ele surgiu originalmente na mente budista e foi escrito pela cantora italiana após uma experiência pessoal intensa sobre libertação do desejo material.
De Milão ao mantra eletrônico
Gala Rizzatto tem a trajetória marcada pelo contraste. Nascida em Milão no ano de 1975, ela saiu cedo, aos dezessete anos, para estudar o canto na Tisch School of the Arts da Universidade de [Nome Ausente]. Foi nessa cidade grande que vivenciou lado a lado as diferenças gritantes entre riqueza e pobreza.
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Além dos desafios sociais observados diariamente, sua carreira enfrentaria um revés físico sério: problemas na coluna colocaram seu sonho inicial de ser dançarina em risco. A paixão por arte continuava viva mesmo diante das adversidades do corpo.
Foi também nesse cenário americano que Rizzatto se apaixonou pela companhia profissionalmente mais próxima possível — um bailarino pertencente ao National Ballet do Senegal —, relacionamento pessoal cuja história acabou permeando os versos musicais da canção pouco tempo depois.
A transição para o hino esportivo
Lançada originalmente como primeiro single no álbum Come Into My Life e com data marcada de 1996, a música fez sucesso imediato, alcançando o topo das paradas na França e em Bélgica. No Reino Unido, ela chegou à segunda posição nas listas oficiais e recebeu ainda uma certificação tripla platina britânica pela sua popularidade duradoura.
O salto do ambiente noturno dos clubes diretamente para as arquibancadas aconteceu mais tarde: foi um torcedor clube inglês da divisão secundária Wigan Athletic que viralizou usando letras diferentes homenageando seu atacante Will Grigg nos anos seguintes ao lançamento original.
A canção se tornou rapidamente parte de todo repertório esportivo global.
Desde então, o refrão ecoou por grandes eventos mundiais; tocou como música oficial em gols das seleções na Copa Mundial de 2022 — incluindo Inglaterra, França, Suíça e Polônia. Mais recentemente, voltou a ser ouvida durante cerimônias importantes do esporte mundial, notavelmente nas Olimpíadas de Paris, realizadas no ano de 2024, lado a lado com We Are the Champions.
Voz contra desigualdade social
A força da canção não se limitou aos gramados esportivos: ela migrou para as ruas dos protestos sociais em vários países diferentes. Em novembro de 2024, um acidente trágico na cidade de Novi Sad, Sérvia — onde o teto de uma estação ferroviária desabou e vitimou dezesseis pessoas —, deu origem a meses de manifestações estudantis exigindo combate à corrupção local.
Neste contexto histórico recente, Rizzatto participou ativamente do movimento; no Festival Exit sérvio deste ano (julho de 2025), abriu sua edição com quinze minutos dedicados ao silêncio das vítimas antes mesmo de cantar Freed From Desire junto aos estudantes líderes dos protestos.
A mensagem da faixa também foi utilizada em outras causas sociais: apareceu durante greves organizadas por professores na Inglaterra ou marchas femininas — quase três décadas após ter sido concebida como uma reflexão sobre a desigualdade social e o desapego material.
“Foi emocionante ver que o retorno da música veio das pessoas, cantando em estádios, protestos e festas”, relatou Rizzatto à revista Mixmag no ano passado (2024). Além do impacto cultural, ela teve de lutar pelos direitos autorais; já recebeu pouco pagamento devido ao contrato assinado nos primeiros anos de carreira.
Direito autoral revisitado
Em 2024, Gala Rizzatto gravou uma nova versão para tentar recuperar parte dos royalties sobre sua própria obra. Paralelamente a esse movimento legal com seu catálogo antigo, o sucesso da música atraiu outros artistas: entre eles estão Oscar and the Wolf, dupla belga que adaptou um balada baseada no refrão original e Diplo, produtor conhecido por lançar remix eletrônico quase trinta décadas após lançamento inicial do hit em 1996.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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