Governo Bolsonaro registra maior número de óbitos por ação policial em SP

O estado de São Paulo registrou o maior número de mortes decorrentes de ações policiais desde 2019 no ano de 2025. Segundo dados do relatório “Pele Alvo”, produzido pela Rede de Observatórios da Segurança e divulgado nesta quarta – feira (1º), foram contabilizados um total de 834 óbitos em comparação com os 812 casos registrados apenas nos anos anteriores.
A análise dos números aponta para uma preocupante elevação na letalidade policial paulista, mesmo ocorrendo essa tendência dentro de períodos que registraram queda significativa nas taxas gerais de criminalidade como roubos, furtos ou latrocínios – o crime seguido de morte teve redução superior a 50% no período analisado.
Violência Letal: Crescimento apesar do declínio da criminalidade
Pesquisadores responsáveis pelo levantamento sugerem que esse aumento alarmante não está diretamente ligado à variação natural da atividade criminosa em São Paulo. Pelo contrário, os dados indicariam um vínculo mais forte com questões relacionadas à gestão e às políticas públicas de segurança.
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O relatório “Pele Alvo” destaca ainda uma tendência preocupadora na elevação dos índices letais desde janeiro de 2023, ano seguinte ao início das atividades do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) no estado paulista. Em contraste, o indicador havia atingido seu ponto mínimo registrado nos anos anteriores; este foi justamente o caso de 2022, período que coincidiu teoricamente com a implementação e uso crescente de câmeras corporais pelos policiais uniformizados em São Paulo.
“O retorno dos índices negativos evidencia que a redução era possível, mas [a política] foi abandonada”, afirma um trecho da análise apresentada pelo estudo sobre segurança pública estadual.
Perfil detalhado: quem são as vítimas
Os números consolidados do relatório também trazem detalhes cruciais sobre o perfil das pessoas vitimadas. Das 834 mortes registradas pela polícia paulista no ano de 2025, uma parcela majoritária eram negras (pretas ou pardas), representando cerca de 64,6% entre os falecidos; esse percentual é superior à participação dessas mesmas cores na população total do estado em São Paulo que era de 40,9%.
O levantamento aponta ainda um padrão demográfico claro nas fatalidades por agentes estatais: a grande maioria dos vítimas são homens – atingindo quase todos — e há concentração etária significativa nos jovens adultos.
Especificamente sobre o perfil das mortes registradas pela polícia paulista no ano passado, foi possível notar uma alta incidência da faixa etária compreendida entre 18 e 29 anos. Em termos geográficos, apenas a capital paulistana concentrou mais de 30%, ou seja, cerca de um terço do total de óbitos registrados em todo o estado durante aquele período monitorado.
Em comparação com outros estados brasileiros que fazem parte do escopo nacional estudado (Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo), os nove entes federativos somaram 4.330 mortes por intervenção policial no ano passado; nesse cenário geral, São Paulo ocupa somente o segundo lugar nas estatísticas nacionais analisadas.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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