Governo busca laços pragmáticos com América Latina

Governo prioriza relações pragmáticas com América Latina buscando cooperação regional em infraestrutura e segurança energética.

30/06/2026 09:06

3 min

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Diante do cenário político regional marcado pelo avanço de governos conservadores na América Latina— como visto nas vitórias recentes no Peru com Keiko Fujimori e na Colômbia por parte de **Abelardo De La Espriella**, além das eleições em Chile, Equador e Bolívia ano passado —, o governo brasileiro foca a estratégia diplomática nos laços bilaterais pragmáticos.

Brasília busca manter uma relação funcionalizada com vizinhos latino – americanos que sejam ideologicamente distintos. O foco não está mais em agendas políticas unificadoras, mas sim temas concretos para cooperação mútua: infraestrutura regional, energia elétrica, combate ao crime organizado ou ações conjuntas contra desastres naturais no continente.

Manutenção de parcerias apesar da polarização

Apesar do quadro político na América do Sul deixar o Brasil e Uruguai como os principais representantes das correntes progressistas regionais, a avaliação oficial é otimista quanto aos laços bilaterais com Peru, Equador, Chile, Colômbia e Bolívia.

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O governo entende que interesses práticos devem prevalecer sobre qualquer divergência ideológica entre as nações vizinhas.

Essa visão pragmática se manifesta em exemplos concretos; por exemplo, há um grande interesse mútuo para desenvolver investimentos capazes de conectar diretamente o Oceano Pacífico ao Atlântico através da infraestrutura regional. Além disso, parcerias no setor energético precisam ser mantidas — ainda mais após os recentes conflitos globais terem exposto vulnerabilidades nesse segmento global do mercado.

O diálogo recente reforça essa tese: desde a visita bilateral solicitada pelo presidente chileno José António Kast com Lula (PT) durante uma cúpula prevista no Mercosul até a resposta cordial que eleito na Colômbia deu à manifestação política feita em apoio às eleições presidenciais brasileiras; tudo aponta para um alinhamento baseado nos interesses econômicos e práticos de cada país envolvido.

Críticas sobre o meio ambiente e democracia

Por outro lado, especialistas apontam desafios significativos. Roberto Goulart Menezes, professor da Universidade de Brasília (UnB), pondera que mesmo mantendo as relações bilaterais com os vizinhos, a situação geopolítica sul – americana é considerada “delicada”.

Ele alerta ainda mais devido ao perfil dos mandatários vindo das correntes extremistas na região em geral.

“Nós não estamos falando mais de governos de direitas convencionais”, afirmou Mendes à Agência Brasil. O especialista também nota um potencial prejuízo para temas ambientais cruciais; ele acredita que o tema ambiental entre Colômbia e Brasil pode ser afetado por essa mudança no cenário político regional.

O professor lembra do diálogo estreito estabelecido pelo país brasileiro sobre questões amazônicas — lembrando inclusive da cúpula Amazônia, realizada como iniciativa bilateral brasileira – colombiana em agosto de 2023 —, destacando a fragilidade atual desse pilar temático importante na região.

Fóruns regionais: Mercosul versus Unasul

No âmbito coletivo (o multilateral), porém, há um reconhecimento mais cauteloso. O governo federal admite que uma cooperação ampla se tornou inviável no momento devido ao alinhamento político dos candidatos vencedores com os Estados Unidos e sua agenda pró – Trump.

Essa conjuntura política tende a enfraquecer fóruns importantes como União de Nações Sul – Americanas (Unasul) ou Comunidade de Estados Latino – Americanos e Caribenhos (Celac). Embora o Brasil tenha tentado impulsionar esses espaços desde 2023 eleição do presidente Lula; na visão oficial é necessário focar em outra plataforma.

Nesse contexto, apenas o Mercosul deve seguir sendo visto por Brasília. O bloco comercial se mantém relevante porque funciona mais como uma estrutura institucionalizada focada no comércio internacional — um interesse que atrai governantes independentemente da sua orientação ideológica política atual.

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