Governos do Sul criticam política ferroviária e ameaçam futuro da Malha Sul

Governos do Sul alertam sobre risco na nova política ferroviária! Paraná, Santa Catarina, RS e MS criticam modelo e futuro da Malha Sul. Concessões podem

03/06/2026 16:49

3 min

Governos do Sul criticam política ferroviária e ameaçam futuro da Malha Sul
(Imagem de reprodução da internet).

Divergências no Sul sobre Nova Política Ferroviária

Os governos de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul expressaram suas divergências com a nova política de concessões ferroviárias do Ministério dos Transportes, que faz parte da Carteira de Projetos 2026. O Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (CODESUL) lidera a disputa em relação ao futuro da Malha Sul, uma infraestrutura logística crucial para o escoamento da produção na região Sul do país.

A política federal, que prevê oito leilões ferroviários em 2026 com investimentos de R$ 140 bilhões, propõe a fragmentação da Malha Sul em três concessões: Corredor Paraná-Santa Catarina, Corredor Mercosul e Corredor Rio Grande. Os governadores – Ratinho Junior (Paraná), Jorginho Mello (Santa Catarina), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul) – argumentam que essa abordagem pode comprometer a lógica integrada da ferrovia, essencial para conectar áreas produtoras, polos industriais e sistemas portuários.

Desafios e Diagnóstico da Malha Sul

O Codesul destaca que a Malha Sul, atualmente operada pela Rumo Malha Sul, enfrenta desafios significativos. No Rio Grande do Sul, metade da malha total está inativa, e após as enchentes de 2024, a extensão operante diminuiu para 921 quilômetros. Em Santa Catarina, apenas 210 quilômetros dos 1.210 quilômetros de trilhos existentes estão em operação.

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Esses dados, segundo o conselho, justificam a importância da discussão sobre a nova concessão como uma pauta estratégica para os estados.

Defesa por um Modelo Integrado

Os governadores defendem que a Malha Sul deve ser tratada como um sistema regional, buscando atrair investimento privado e aumentar a competitividade logística. Eles cobram acesso aos estudos técnicos da Infra S.A. e pedem que a nova concessão seja estruturada em bloco, em vez de fragmentada, argumentando que um modelo integrado oferece maior coerência logística, eficiência operacional e atratividade para o investimento privado.

Além disso, solicitam o equacionamento dos passivos do contrato atual, com recuperação de trechos abandonados ou inoperantes.

Resposta e Próximos Passos

Em resposta à proposta federal, os estados informaram ao Ministério dos Transportes que contratarão um estudo técnico complementar para apresentar uma alternativa ao modelo em discussão. O documento terá o apoio das principais entidades representativas do setor produtivo dos quatro estados, incluindo federações da indústria, federações da agricultura, associações empresariais e organizações das cooperativas.

A disputa sobre a Malha Sul se transforma, portanto, em uma disputa federativa e econômica, com o governo federal buscando avançar com uma nova geração de contratos ferroviários e os estados do Sul defendendo que a modelagem considera a lógica regional das cadeias produtivas e o peso da infraestrutura ferroviária na competitividade da economia.

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