Ibovespa cai com bancos frente ao preço alto do petróleo

Bancos sob pressão com Ibovespa em queda acentuada frente ao preço elevado do petróleo na economia mundial.

23/07/2026 17:54

4 min

Painel com cotações na bolsa brasileira, a B3
Painel com cotações na bolsa brasileira, a B3

O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta – feira em queda de 0,46%, atingindo os 176.723 pontos e sendo pressionado principalmente pelo desempenho negativo das ações dos grandes bancos.

A volatilidade do mercado foi marcada pela forte alta internacional da commodity petróleo, que ultrapassou US100 por barril devido ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Esse movimento impulsionou as petroleiras na bolsa brasileira; contudo, levou também à interrupção da sequência de quedas nas três sessões consecutivas registradas para a moeda americana (dólar), fechando o dia em R 5,084 após um aumento de 0,65%.

Desempenho dos setores e análise do mercado

Entre os destaques que movimentaram índices como Ibovespa foram grandes empresas setoriais: enquanto papéis ordinários da Petrobras (PETR 3) avançavam 1,67%, as ações preferenciais (PETR 4) subiram 0,87%. A Vale também contribuiu para limitar a retração geral com alta de 0,77%.

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Na ponta oposta, o setor bancário pesou sobre o índice. As unidades negociadas em bolsa pelo BTG Pactual (BPAC 11), Itaú Unibanco (ITUB 4), Bradesco (BBDC 4) e Banco do Brasil (BBAS 3) registraram quedas significativas.

Em termos gerais no pregão brasileiro, Rumo (RAIL 3) liderou os ganhos na Bolsa, acumulando uma valorização de 2,35%, enquanto Hapvida (HAPV 3) registrou a maior perda diária com recuo alarmante de 8,08%. Analisando esses movimentos, Artur Horta, head de análise da GTF Capital, apontou que o mercado reagiu diretamente ao aumento das tensões geopolíticas.

Segundo ele, essa situação levou investidores em busca de ativos considerados mais seguros e fez comprar dólar para reduzir riscos; por consequência, as ações caíram.

Pressão global: petróleo recorde impacta Wall Street

O cenário internacional reforçou essas pressões no setor energético após os preços do barril romperem a marca dos US 100 devido aos crescentes gargalos nos principais corredores marítimos globais — Estreito de Ormuz e Bab el – Mandeb. O mercado reagiu intensamente à notícia sobre novos ataques atribuídos ao Irã no Golfo Pérsico.

Além disso, o bloqueio promovido pelos houthis em Mar Vermelho somou peso às preocupações.

Em meio a esse conflituoso quadro geopolítico, as expectativas para produção foram elevadas: apesar da expectativa de que a Opep+ elevasse sua oferta diária em mais 188 mil barris por dia até setembro —, medida considerada insuficiente pelo setor –, os contratos futuros dispararam na compra internacional. Por exemplo, o contrato do Brent com vencimento setembro avançou impressionantes 7,04%, fechando US100,69; e o WTI também subiu significativamente, alcançando US 92,19 no mesmo mês.

Repercussão nos índices americanos

As gigantes de tecnologia foram as principais vítimas das pressões globais combinadas aos balanços divulgados nas últimas semanas em Wall Street. Os três grandes indicadores encerraram a sessão vermelhos: Dow Jones caiu 0,97% para os 51.711,29 pontos, enquanto SP 500 recuou mais que um por cento (queda de 1,21%, atingindo o nível dos 7.408,12). O Nasdaq teve pior performance do dia com queda expressiva de 2,15%. A Alphabet perde força após elevar sua projeção global de investimentos focada exclusivamente na inteligência artificial até 2026.

Perspectivas e indicadores macroeconômicos. A análise aponta para a necessidade urgente da redução das tensões geopolíticas como condição fundamental para uma reversão positiva no mercado financeiro brasileiro. Segundo Artur Horta, seria crucial receber notícias positivas sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã — um cessar – fogo ou acordo —, pois é nesse contexto que os investidores buscam ativos mais seguros em detrimento dos setores ligados aos juros futuros (como varejo, saúde, educação e construção civil.

Em paralelo ao cenário de risco global do petróleo, foram divulgados dados positivos na economia americana: Departamento do Trabalho informou queda nos pedidos iniciais de seguro – desemprego; a marca foi 187 mil pessoas com recuo para apenas 22 mil naquela semana encerrada em 18 de julho. Na Europa continental, por sua vez, o Banco Central Europeu manteve inalteradas as três principais taxas da zona do euro.

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