Jonas Steinfeld Aponta Urgência em Dados Econômicos sobre SAFs

Jonas Steinfeld destaca a necessidade urgente de informações econômicas sobre SAFs para impulsionar sua expansão na Amazônia.

05/07/2026 16:55

4 min

Grãos de café produzidos em área na Amazônia
Grãos de café produzidos em área na Amazônia

Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são reconhecidos por sua capacidade de aumentar a produtividade e diversificar as fontes de renda dos agricultores em regiões como a Amazônia.

Apesar do potencial comprovado para tornar essa produção mais resiliente às mudanças climáticas, o avanço desses sistemas ainda enfrenta diversos obstáculos estruturais que vão desde questões políticas até barreiras no acesso ao crédito na região amazônica.

Desafios técnicos e necessidade de dados aplicados

O consenso entre pesquisadores, representantes setoriais e próprios agricultores foi estabelecido durante um painel realizado dia 02 de julho: “Sistemas Agroflorestais (SAFs) como Ferramenta de Resiliência Climática”. O evento ocorreu em função da II Semana do Clima da Amazônia.

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Os SAFs funcionam combinando a plantação intencional de árvores com espécies agrícolas cultivadas simultaneamente; o objetivo é restaurar ecossistemas florestais enquanto se produz alimento para consumo humano no Brasil.

Para Jonas Steinfeld, Diretor Científico e Co – fundador do Centro de Estudos e Inovação Agroflorestal (CEIA), as evidências científicas sobre os benefícios dos sistemas já são vastas. Contudo, ele enfatizou que há uma urgência por produzir conhecimento mais aplicado diretamente às necessidades diárias dos agricultores na linha de frente produtiva.

Segundo Steinfeld, embora estudos existentes demonstrem a eficiência em biodiversidade e captura de carbono nos SAFs, ainda faltam pesquisas robustas nas áreas econômica e técnica de manejo. “Precisamos gerar dados para ajudar bancos — além das políticas públicas —, entendendo melhor como esses sistemas funcionam economicamente”, afirmou o pesquisador.”

Barreiras financeiras no acesso ao crédito

O desafio estrutural se manifesta principalmente quando os projetos chegam à esfera financeira. Carolina Domênico, bióloga e gerente da Natura, observou que há um interesse crescente por parte dos produtores pelo modelo agroflorestal; todavia, transformar essa demanda em empreendimentos viáveis esbarra em barreiras históricas.

“Vemos desde pequenos lotes de apenas dois hectares até propriedades maiores com dezenas de hectares onde produtor está interessado,” relatou ela sobre a dificuldade na expansão do SAFs. “Mas o problema ainda são questões como regularização fundiária ou ambiental, além justamente do acesso ao crédito”, destacando as trabas estruturais.”

O sistema financeiro e monocultura

A questão da falta de financiamento foi reforçada por Victor Almeida, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma). Na avaliação dele, os sistemas financeiros atuais não estão preparados para compreender totalmente a lógica produtiva dos Sistemas Agroflorestais.

“Ensinar esse setor sobre SAF é um grande desafio. Não existe projeto padrão,” explicou o representante setorial; “Sem essa compreensão que permite análise bancária adequada do modelo produtivo — como as múltiplas fontes de renda —, simplesmente impossível escalar.”

Além disso, Osvaldo Stella, diretor de Sustentabilidade na Rizoma Agroflorestal, apontou outro gargalo: toda estrutura atual foi construída pensando no monocultivo e em suas linhas consolidadas de crédito. O sistema precisa ser readequado para financiar uma produção diversificada capaz tanto de gerar receita quanto serviços ambientais.

Casos práticos mostram viabilidade da Amazônia

Em contraste com os obstáculos sistêmicos levantados pelos especialistas, o agricultor familiar Ernesto Suzuki trouxe um exemplo concreto do sucesso dos SAFs operando em larga escala a partir de Tomé – Açu (PA). Ele explicou que este modelo surgiu como resposta à crise enfrentada pela cultura tradicional da pimenta – do – reino na região amazônica.

O produtor relembrou ainda sobre a união entre saberes tradicionais e conhecimentos trazidos por imigrantes japoneses. Hoje, segundo ele, há mais de 200 combinações diferentes desses sistemas agroflorestais desenvolvidas apenas no município; sua principal vantagem é garantir renda ao longo de todo ano devido à diversificação produtiva.”

“Mesmo durante uma seca severa em 2023 observamos melhor condições nas áreas SAF,” afirmou Suzuki, explicando que o acúmulo de matéria orgânica do solo retém água vital para as plantas cultivadas ali anualmente.

Caminhos futuros: políticas públicas são essenciais

Apesar dos resultados positivos apresentados na prática e da consolidação técnica sobre os Sistemas Agroflorestais (SAFs), a conclusão geral foi unânime quanto aos próximos passos. O conhecimento técnico já está consolidado; há casos reais mostrando sua viabilidade econômica no bioma amazônico inteiro.

O desafio agora é transformar essas experiências em ações concretas por meio das Políticas Públicas adequadas, fortalecendo o acesso ao crédito específico e aumentando drasticamente a assistência técnica disponível nas regiões ribeirinhas.”

“É preciso investir pesadamente não só em pesquisa ou desenvolvimento de informações,” concluiu Stella reforçando que “a adaptação dos SAFs às realidades específicas do território será fundamental para torná – los competitivos na Amazônia”, direcionando os esforços necessários à escala produtiva regional.

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