Keiko Fujimori propõe controle militar em áreas peruanas críticas

Keiko Fujimori propõe medidas drásticas para reprimir crime após década de instabilidade econômica.

28/07/2026 20:25

3 min

Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, fala durante entrevista à AFP na sede do partido, em Lima, em 10 de abril de 2026
Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, fala durante entrevis...

Keiko Fujimori anunciou nesta terça – feira, 28 de maio [data implícita], que o governo peruano retomará temporariamente sob controle das Forças Armadas as operações em regiões dominadas por organizações criminosas e atividades ilegais.

Durante seu discurso na posse no Congresso do Perú — marcando sua ascensão como nona chefe de Estado nos últimos dez anos —, a presidente afirmou que os militares assumirão comando nas áreas onde foram decretados estados de emergência com objetivo declarado: devolver esses territórios à população civil.

A plataforma política da nova gestão é chamada “Peru com Ordem”.

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Plataforma econômica foca livre mercado após instabilidade

A eleição de Keiko Fujimori veio depois de uma década marcada pela turbulência, incluindo impeachments e eleições acirradas contra o esquerdista Roberto Sánchez. Seu plano político defende medidas voltadas ao corte burocrático do país e incentiva fortemente princípios de livre mercado.

Historicamente associada a políticas econômicas conservadoras que favoreceram investimentos estrangeiros no Peru em anos anteriores, sua candidatura apostou na retomada desse protagonismo privado internacional. A proposta se inspira diretamente nas reformas implementadas pelo governo seu pai, Alberto Fujimori, durante os anos 1990.

O legado ambivalente da família nos corredores políticos

“Keiko”, apelido usado por seus apoiadores, carrega um histórico complexo dentro dos peruanos; o sobrenome é conhecido profundamente pelos diferentes setores do país andino político e socialmente dividido.

A cientista política Jorge Aragón observou à agência de notícias AFP que “É uma ‘marca’ que está bem posicionada, gostem ou não”. Administradora formada nos Estados Unidos, Keiko já atuou como parlamentar e líder partidária pela Força Popular.

Ela teve contato com líderes internacionais desde os 19 anos, período em que conviveu no poder junto ao pai dela.

As luzes e sombras da história peruana. Alberto Fujimori foi figura central na turbulenta cena política peruana; ele governou o país durante tempos convulsos após derrotar a insurreição do grupo maoísta Sendero Luminoso e também dos guevaristas ligados ao MRTA. Além disso, conseguiu controlar uma hiperinflação severa naquele momento histórico.

No entanto, esse mesmo legado é manchado por condenações de corrupção e violaações graves aos direitos humanos cometidas pelo ex – presidente Alberto em seu mandato anterior. Keiko tem lutado para se desvincular dessas marcas históricas que lhe garantem um sólido apoio político junto com grande rejeição popular.”

A polarização política no Peru

“Nos últimos 25 anos”, declarou Fujimori criticamente à AFP sobre o cenário nacional, “fomos governados por governos antifujimoristas”. Ela fez uma exceção ao período do governo Alan García (entre os anos de 2006 e 2011.

Segundo a presidente eleita, esses demais períodos foram dedicados apenas em gerar divisão entre os peruanos através dos insultos. Apesar da proximidade histórica gerada pelo sobrenome familiar — que lhe garante contatos —, essa mesma ligação gera um profundo nível de rejeição na população.

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