Le Slip Français estreia no Euronext Growth com IPO de €21 milhões

A Le Slip Français estreou nesta semana na bolsa de valores parisiense Euronext Growth Paris com um IPO que visa capitalizar o movimento por produtos fabricados localmente em França.
Em meio à pressão do mercado global exercida gigantes asiáticos como Shein e Temu, a marca francesa argumenta ser possível fazer os consumidores pagarem mais caro pela produção têxtil nacional. A empresa foi fundada pelo empresário Guillaume Gibault no ano de 2011 justamente para provar a viabilidade da manufatura vestimentícia dentro das fronteiras francesas.
História empresarial: apostando na indústria local
Gibault relembrou publicamente essa trajetória ao comentar sobre uma “aposta há quinze anos” que visava reativar o setor em França. Ele destacou não apenas as cuecas masculinas iniciais do catálogo, mas também como houve um crescimento significativo até hoje; passaram a produzir moda praia e roupas íntimas femininas além de camisetas e meias.
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Os números financeiros recentes deram à companhia confiança suficiente para seguir com a listagem pública após este ano considerado forte pelos negócios. A Le Slip Français registrou receita total de 21 milhões de euros no exercício de 2025 — valor equivalente aos cerca de R122,6 milhões —, alcançando lucro líquido na casa dos 700 mil euros (R 4,09 milhões.
Desafios do mercado global versus produção própria
O setor da moda enfrenta uma concorrência intensa vinda das plataformas fast fashion que praticam preços extremamente baixos em escala mundial. Gibault reconheceu o desafio competitivo ao citar nomes como Temu e Shein.
No entanto, ele argumentou que a incerteza crescente nas relações comerciais globais tem impulsionado as marcas a trazerem novamente parte da cadeia produtiva para perto de seus mercados consumidores locais. A Le Slip Français investiu pesadamente na criação de sua fábrica nos arredores de Paris; hoje ela produz aproximadamente 4.500 peças íntimas diariamente por meio do processo automatizado.
Essa automação permitiu um ajuste estratégico no varejo: os custos foram reduzidos drasticamente, possibilitando baixar o preço das cuecas masculinas em cerca de €20 (R 116,80), enquanto mantinha alta lucratividade e ainda planeja expandir serviços como “Made in France as a service”, fabricando roupas sob encomenda para outras empresas interessadas nesse modelo francês.
Perspectivas futuras após listagem na bolsa
Apesar da abertura inicial negociada pelo valor de €14.80 — que representava uma capitalização próxima dos R110,96 milhões —, houve oscilações no dia do IPO; ao fechar suas últimas negociações o preço atingiu os €15 euros ou cerca de R 87,60.
Olhando adiante, Gibault estabeleceu metas ambiciosas: dobrar toda a receita até lá em *2030*. O crescimento virá tanto pela expansão desse negócio terceirizado quanto por aumentar sua participação na venda das cuecas masculinas dentro da França.
Apesar de detêr hoje aproximadamente 4% do mercado francês masculino e ser reconhecida pelos cérebros dos consumidores locais (cerca de 60%), ele acredita que há muito espaço para crescer. Ele reforçou ainda o foco no empreendedorismo nacional ao afirmar que líderes precisam assumir riscos sem esperar auxílio governamental.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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