Preço do leite e derivados sobem em 2026! Saiba por que a queda de 2025 foi revertida e como o cenário no Oriente Médio afeta seu bolso. Clique e confira!
Após registrar uma queda em 2025, o valor do leite e de seus derivados voltou a subir no Brasil durante 2026. Esse movimento é atribuído à redução da produção e ao aumento dos custos operacionais para manter o rebanho. Tal elevação já está impactando os índices de inflação e deve persistir devido ao cenário de conflito no Oriente Médio.
Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do Brasil, mostram a pressão sobre o setor. Anteriormente, o preço do leite havia caído 5,6% em janeiro, mas recuperou 1,2% em fevereiro, sinalizando uma reversão na tendência de preços.
Esse aumento geral contribuiu para pressionar o grupo alimentação do IPCA. No mesmo período, outros derivados também apresentaram alta expressiva, como iogurte, que subiu 1,58%; queijo, com aumento de 1,95%; e leite em pó, que teve alta de 0,85%.
A principal razão para essa elevação de preços está diretamente ligada à diminuição da captação de leite. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da USP, a captação registrou uma queda de 3,6% em janeiro e fevereiro na Média Brasil.
Os recuos foram notáveis em estados como Minas Gerais, Paraná e Goiás.
A baixa disponibilidade de leite forçou a indústria a pagar valores mais altos pela matéria-prima. Em fevereiro, o valor pago ao produtor subiu 5,43%, um custo que foi repassado ao consumidor no mês seguinte.
Essa redução na captação é explicada por dois fatores principais. Primeiramente, há a sazonalidade, pois o clima reduz a qualidade das pastagens e eleva os custos com alimentação animal. Além disso, os produtores estão mais cautelosos em investir, após vivenciarem quedas sucessivas no preço do leite em 2025 e margens de lucro mais apertadas.
No ano passado, a produção de leite atingiu um patamar recorde, com um crescimento estimado de 7,2% em relação a 2024, totalizando 27 bilhões de litros. Contudo, as importações permaneceram em volume elevado, gerando um déficit na balança comercial de cerca de 2 bilhões de litros equivalentes, apesar de uma queda de 4,2% comparado a 2024.
O leite em pó continua sendo o item mais importado, conforme dados do Centro de Inteligência do Leite (Cileite/Embrapa). Esses fatores combinados causaram uma sobreoferta em momentos anteriores, levando a quedas no preço médio pago ao produtor, especialmente a partir de abril.
Em dezembro de 2025, o preço caiu 22,6% em relação aos 12 meses anteriores.
Apesar de melhorias pontuais, como o aumento da produtividade média por vaca no Brasil, o setor enfrenta um impasse. A volatilidade dos custos de insumos, como milho e soja, diminui a previsibilidade da oferta, enquanto os consumidores estão mais sensíveis a reajustes.
A tendência aponta para a continuidade da alta nos próximos meses.
Em março, o aumento do custo do frete, equivalente a cerca de 26% do IPCA, deve encarecer toda a cadeia produtiva. Em abril, o leite deve apresentar um aumento ainda maior, influenciado pelo aumento dos combustíveis em meio ao cenário geopolítico no Irã, pressionando o consumidor final.
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