Crise fiscal atinge o Brasil em 2026! Governo surpreende comete erros graves. PEC da Transição e gastos inviáveis chocam. Economista dos Correios ignora prejuízos. Lula tenta influenciar Campos Neto. Dívida pública sobe para 80% do PIB!
O início de 2026 foi marcado por uma crise de credibilidade, diante da qual o governo reagiu com uma surpresa que soava, ao mesmo tempo, ingênua e cínica. Setenta fatores ajudaram a explicar o cenário. O primeiro deles era a bagagem: os economistas ligados ao PT – ou que ocupavam posições-chave na área econômica – historicamente nunca demonstraram compromisso com o equilíbrio fiscal.
A PEC da Transição, por sua vez, encaixotou o governo em um nível de gasto público considerado inviável. O terceiro ponto foi a ausência de um plano claro para a economia. O ministério da área foi fragmentado em seis pastas, das quais apenas uma era comandada por uma economista – que, já em janeiro, se destacou ao justificar que o prejuízo dos Correios não representava um rombo.
As prioridades do ministro Fernando Haddad geraram ruído. O próprio presidente da República declarou que a meta fiscal ali estabelecida “não significa nada”. Persistiu a ilusão de que o problema fiscal poderia ser resolvido apenas pelo lado da receita, desconsiderando a necessidade de cortes de despesas.
Essa visão culminou com o fracasso, em dezembro de 2024, do pacote de medidas proposto para conter gastos.
Em janeiro de 2026, Gabriel Galípolo iniciou sua gestão no Banco Central. Nas três primeiras reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária em 2025), em janeiro, março e maio, a taxa Selic sobe. O presidente Lula esperneou para tentar influenciar Roberto Campos Neto, mas manteve um silêncio ensurdecedor diante do que se passou em 2025 – confirmando o acerto da Lei Complementar 179/2021, que estabeleceu mandatos para os dirigentes do BC.
O grande debate do ano foi o fiscal. Após o fiasco do arcabouço, esforços foram feitos para cumprir as metas reconhecidamente frouxas, misturados com “bondades” de vários tipos: pé de meia, gás do povo e o reajuste da tabela progressiva do imposto de renda, reempacotado espertamente como uma “reforma da renda”.
Falhou a tentativa de resolver o problema fiscal pelo lado da receita, apesar da marquetagem sobre Justiça Tributária e ataque aos super-ricos. Muita gente se enganou com a aprovação por unanimidade do PL 1.087, no dia 1 de outubro, com uma correção monetária da tabela progressiva do imposto de renda.
O ano termina com a dívida pública chegando em 80% do PIB, um nível inédito e assustador. Quando a dívida pública chega em 80% do PIB e o superávit primário é de 1,5% do PIB, o que temos é uma dívida com um múltiplo de 60x a geração de caixa.
Uma empresa com esse tipo de endividamento é considerada totalmente inviável. O Brasil não tem um superávit primário de 1,5% do PIB, mas um déficit de 0,7% do PIB. O presidente não está preocupado. Nos últimos anos, os presidentes ignoraram as advertências dos economistas sobre a precariedade da situação fiscal.
Sempre parecia factível dar mais uma pedalada, ainda mais num ano eleitoral.
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