Philip Haji – Touma transforma prédio histórico em polo cultural em SP

O centro da cidade foi palco para a transformação artística no Espaço República em 2023. Philip Haji – Touma transformou um prédio histórico herdado pela família e localizado na Rua Sete de Abril (República) –São Paulo.
Fundadordo projeto utilizou o imóvel como base para criar um polo cultural voltado aos artistas visuais emergentes, buscando solucionar gargalos profissionais enfrentados por novos talentos artísticos.
A visão: transformar herança imobiliária em incubadora
Haji – Touma encontrou dificuldades com seu edifício residencial nos anos seguintes à sua volta a São Paulo vindo de Beirute no ano de 2021. Em vez de esperar pelo mercado ou buscar inquilinos comerciais tradicionais, ele decidiu dar uma nova função ao prédio histórico que havia recebido da família.
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O Espaço República é o resultado dessa iniciativa e nasceu oficialmente em dezembro do mesmo ano (de 2023). O projeto começou pequeno — apenas oito ateliês —, mas hoje ocupa um total de 1.985 metros quadrados distribuídos por seis andares na região central paulistana.
Estrutura para artistas: mais além dos estúdios
Até onde vai a estrutura artística independente?
Hoje, os visitantes encontram no local não só cinquenta e um ateliês disponíveis nos fundos da antiga Companhia Real de Navegação Aérea; há também uma galeria dedicada às exposições públicas em curso. Além disso, o complexo conta com salas específicas destinadas à realização de cursos artísticos variados e opera sob um programa contínuo de residência artística.
Danilo Cavalcante, curador institucional assistente que trabalha na região do Parque Ibirapuera (São Paulo), descreve como funciona a trajetória típica dos artistas iniciantes: eles primeiro passam por espaços independentes — citando justamente aquele modelo encontrado no Espaço República—, depois buscam editais institucionais grandes locais ou museus específicos; só então chegam ao circuito das galerias comerciais.
O papel da incubadora em São Paulo
A importância para o artista emergente.“É um problema subir essa pirâmide [do mundo das artes] porque exige ser visto. E pra conseguir visibilidade inicial, é preciso já ter sido notado antes,” explica Haji – Touma sobre os desafios do setor artístico brasileiro. Ele aponta que as instituições maiores geralmente olham mais atentamente para galeria comercial e colecionadores internacionais estabelecidos.”
Segundo Cavalcante, a hierarquia no meio cultural dificulta muito: “o museu difícilmente coloca numa exposição algum tipo de legitimação se não tiver vindo por outro caminho”. Por isso o Espaço República atua como uma entidade independente crucial.
Modelo econômico sustentável
Como funciona um condomínio criativo
“O modelo aqui é funcionar quase como um espécie de condomínio artístico,” explica Haji – Touma. Os artistas pagam pelo uso dos seus respectivos estúdios e recebem em troca toda infraestrutura necessária para desenvolver projetos artísticos complexos.”
A receita do local vem principalmente da cobrança mensal pelos aluguéis tanto nos espaços dos ateliês quanto na galeria ou sala de cursos. Há também o sobreprice, que remunera os serviços adicionais voltados à visibilidade profissional — incluindo assessoria de imprensa especializada, curadoria artística completa, produção fotográfica institucional e criação constante de conteúdo digital.
O prédio tombado como polo cultural
Até onde vai a expansão?. Construído em 1957 pelo bisavô de Haji – Touma (fundador original da Companhia Real de Navegação Aérea), este edifício histórico já sediou mais de cinquenta artistas desde sua abertura. Desde então foram realizadas dezesseis ativações diferentes no local; além disso, cerca de cinco mil pessoas passaram por ali visitando mostras artísticas.”
Haji – Touma enfatiza que o coletivo é fundamental para dar visibilidade aos trabalhos: “Muitos desses artistas não seriam chamados individualmente se fosse só um ateliê fechado aqui dentro”. Ele também esclarece a seleção dos ocupantes do espaço ao afirmar que ele evita analisar portfólios individuais.
A República como polo criativo
Um centro em transformação
“Foi uma brecha [de mercado] e aconteceu junto com essa história da requalificação de todo o Centro,” conta Haji – Touma, reconhecendo que seu projeto coincidiu perfeitamente com grande movimento transformador na região. Ele descreve República (São Paulo) — onde está instalado —, sendo hoje repleta por sebos especializados; estúdios artísticos ativos para diversos profissionais.
Giovanna Endrigo, curadora assistente trabalhando também no circuito museológico paulistano, aponta a força do bairro: “Você acaba tendo as várias etapas necessárias em um mesmo lugar”, diz ela.
O futuro e os ocupantes
Projetando o modelo pelo Brasil.“A ideia é pegar essa marca que estou criando aqui [no Espaço República] fazer uma expansão passando pelos estados brasileiros,” afirma Haji – Touma sobre seus planos futuros. Ele já está conversando com parceiros visando abrir outra unidade na região de São Paulo.
Por enquanto, ainda há conjuntos comerciais vazios dentro da família para serem preenchidos por novos ateliês.”
Mazzo Heck foi pioneiro no local; ele trabalhou sozinho em um dos primeiros períodos do espaço até aceitar a convivência compartilhada e agora prepara sua primeira exposição individual ali.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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