Pix Conecta Comunidades Ribeirinhas da Amazônia Acelera Desenvolvimento Em Juruti

Rede Amazônica+ Conecta comunidades ribeirinhas aprimorando acesso à saúde e educação em Juruti.

22/07/2026 15:13

4 min

Juruti: comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas passam a acessar Pix e telemedicina após chegada de rede conectada.
Juruti: comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas passam a acess...

Serviços considerados básicos em boa parte do Brasil, como consultas médicas à distância ou aulas online, dependem diretamente de um fator que nem sempre está disponível nas regiões mais remotas: o sinal de internet adequado.

Em comunidades ribeirinhas no Pará, essa carência limitava drasticamente os moradores ao acesso a facilidades hoje rotineiras para outras partes do país. No entanto, por meio da iniciativa Rede Amazônia+Conectada, foi instalada infraestrutura vital conectando mais de 602 domicílios e abrangendo as atividades diárias das pessoas em seis grupos tradicionais na cidade de Juruti, Baixo Amazonas.

O desafio persistente com conexões digitais

Apesar dos avanços recentes trazidos pela expansão tanto da fibra óptica quanto da internet móvel pelo Brasil, o cenário digital ainda apresenta grandes disparidades geográficas. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano de 2024, a desigualdade é evidente fora do ambiente urbano nas três maiores regiões amazônicas: Acre registrou conexão nos lares urbanos por apenas 75,2%, enquanto Pará ficou em 79,4% — ambos os estados apresentaram mais de 20% das residências sem acesso.

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O Amazonas também foi apontado com um índice menor que ideal para domicílios conectados na PNAD Contínua até 2025, atingindo somente 77,7%. Em contraste gritante, o Distrito Federal alcança uma taxa muito superior, chegando aos 96,2% dos imóveis.

Essa disparidade mostra como a falta de infraestrutura se agrava drasticamente fora do perímetro urbano principal da cidade.

A Rede Amazônia +Conectada e seus parceiros

Em meio ao cenário complexo das telecomunicações no Norte brasileiro — onde pesquisas indicam baixa qualidade em muitas conexões além de preços altos —, nasceu um projeto que visa transformar essa realidade localmente. O programa não começou com grandes empresas globais; ele foi lançado pela primeira vez na data de 13 de junho de 2023, sediado em São Paulo, por uma iniciativa financiada inicialmente com R 10 milhões fornecidos pelo Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e executado pelo Grupo +Unidos.

“Esperamos que o acesso a tecnologia de banda larga de alta velocidade facilite tanto o desenvolvimento econômico quanto promove transformação social”, afirmou Daniel Grynberg naquela ocasião do lançamento. Em Juruti, os preparativos locais foram conduzidos previamente pelo Instituto Juruti Sustentável (IJUS), organização responsável por selecionar as famílias participantes baseando – se nos critérios de renda.

A meta inicial era alcançar um total estimado em 750 residências na região amazônica.

Impacto local: da infraestrutura ao aprendizado digital

A implementação foi uma verdadeira coalizão técnica e acadêmica com funções específicas para cada parceiro envolvido no projeto Rede Amazônia +Conectada. Enquanto a Conecta Amazônia forneceu toda a parte física — incluindo fibra óptica, roteadores, antenas rádio —, o escritório Trench Rossi Watanabe cuidou do suporte jurídico especializado.

Para garantir que os benefícios fossem amplos, outras instituições como EBAC (com bolsas de estudo), J – PAL e Muva foram acionadas na medição dos impactos sociais em curso.

Mais recentemente, grandes corporações se juntaram ao esforço: Alcoa Foundation passou a ser principal patrocinadora após um documentário lançado por programa sobre essa experiência; Dell Technologies, Qualcomm e alocadoras também fazem parte desse grupo.

A Microsoft elevou ainda mais esse patamar pela iniciativa Elevate, oferecendo formação desde alfabetização digital básica até fundamentos avançados de inteligência artificial (IA). Segundo o relatório da companhia, já houve certificação para mais de 1500 aprendizes com habilidades digitais.

O impacto é sentido diretamente pelos moradores locais como Tiago Marques, estudante em Pau D’Arco que relatou à empresa ter conseguido acessar materiais antes inacessíveis na Amazônia.

Apesar do sucesso local — conectando os domicílios no município —, a pesquisa TIC Domicílios apontada pelo Comitê Gestor da Internet revela um desafio ainda maior: mesmo tendo acesso físico, há uma disparidade nas competências. Fabio Storino, coordenador dessa análise, alertou que o benefício tecnológico pode se concentrar apenas nos grupos sociais mais favorecidos e lembrar sobre essa distância de aprendizado entre classes A (69% com IA) versus as classes CDE (16%.

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