Polícia é condenada por agressão com armas na Favela da Caixa DÁgua

Detalhes dos crimes registrados pelas câmeras. As filmagens revelaram um cabo apontando pistola para a cabeça de um jovem e outro policial encostando arma diretamente no rosto de um adolescente. Em seguida, o sargento Amauri dos Santos colocou munição única num revólver; ele girou o tambor antes de acionar o gatilho com a mira na vítima — uma simulação que lembrou “roleta russa”, mas sem disparo efetivo.
“A prática configura forma de tortura psicológica porque submete a vítima ao risco iminente de morte e provoca intenso sofrimento emocional,” explicou Giovana Ortolano Guerreiro, promotora da Justiça Militar.
Policiais militares foram condenados pelo Tribunal de Justiça Militar após imagens capturadas por câmeras corporais mostrarem agressões graves contra dois adolescentes durante uma operação na Favela da Caixa DÁgua, zona leste do estado. O caso veio à tona no último domingo (19), através reportagem exibida pelo Fantástico, TV Globo.
As gravações mostram diversos episódios preocupantes ocorridos em fevereiro passado envolvendo os agentes uniformizados.
Investigação aponta abuso em operações policiais. Além das ameaças armadas, as imagens também registraram agressões físicas contra os jovens envolvidos. Os vídeos mostram tapas aplicados nos adolescentes e golpes dados utilizando uma vara pelos militares no decorrer dos fatos.
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As gravações ainda evidenciam que houve entrada nas residências dentro da comunidade sem o devido mandado judicial para realizar buscas na área.
Durante a operação policial, agentes recolheram galões — geralmente usados como local de armazenamento de cocaína —, além de pacotes suspeitos contendo entorpecentes apreendidos durante as diligências realizadas pela Polícia Militar em 2026.
Condenações por tortura e abuso. A Justiça militar agiu após essas imagens surgirem numa auditoria rotineira das câmeras corporais. A Corregedoria já havia aberto uma investigação formal sobre os fatos e preso dois dos policiais envolvidos no caso.
Na última quarta feira (1, o Tribunal condenou sargento Amauri dos Santos a pena total de doze anos e cinco meses de prisão.
Amauri foi responsabilizado pelos crimes de peculato, fraude processual — devido à obstrução da câmera corporal —, além de responder pelas acusações de tortura e abuso de autoridade em relação ao desaparecimento material apreendido na operação policial.
Outros militares respondem pelo ocorrido. O cabo Sandro Nascimento recebeu uma sentença separada. Ele deve cumprir quatro anos e dez meses no regime semiaberto por conta das práticas de torture e abusos contra a vítima.
Durante o processo judicial ele alegou que encostar arma no rosto do adolescente ocorreu após perder momentaneamente seu equilíbrio, argumento rejeitado pela Justiça.. Já Amauri tentou justificar os fatos dizendo que revólver usado era feito de plástico ou munição apenas cápsula sabão; também afirmou que todo material recolhido nas casas seria lixo descartado posteriormente.
Aprimoramento da tecnologia em campo. O soldado Eduardo Uchoa mais seis policiais ainda estão respondendo ao caso. Eles continuam sob investigação para serem julgados pelos crimes cometidos durante a operação na Favela.
Grande parte dos eventos foi registrada graças à funcionalidade Recall das câmeras corporais do sistema, o qual gravava continuamente mesmo sem acionamentos manuais por partes.
Em nota oficial sobre os fatos e as condenações recentes, a Polícia Militar informou ter ampliado seu programa de equipamentos: agora conta com cerca de 1mil aparelhos — um aumento significativo de cinquenta percentual —, reforçando que acompanha esse funcionamento tecnológico visando melhorar tanto sua transparência quanto a segurança em todas ações policiais realizadas no estado.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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