Polícia Federal prende pastor Marcio Poncio em operação contra “Máfia do Cigarro

Polícia Federal prende pastor Marcio Poncio em operação que desmantela esquema envolvendo lavagem de dinheiro ligado à “Máfia do Cigarro”.

02/07/2026 14:22

4 min

Reprodução / Instagram
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O pastor Marcio Poncio está detido pela Polícia Federal (PF) desde esta quinta – feira (2), durante uma nova fase dos trabalhos ligados à Operação Unha e Carne.

As autoridades apuravam um esquema complexo envolvendo lavagem de dinheiro ligado ao chamado “Máfia do Cigarro” na região do Rio de Janeiro. A prisão marca mais um capítulo polêmico da família, cujas movimentações já chamaram atenção nacional por ostentarem riqueza em meio a diversas controvérsias jurídicas.

Investigando o patrimônio familiar

Márcio construiu seu acervo financeiro principalmente no mercado tabaco. Além disso, ele manteve carreira como pastor evangélico há pouco mais de duas décadas. Em 2025, tentou se candidatar à Prefeitura de Três Rios (RJ) durante uma disputa suplementar após cassação do prefeito que ocupava o cargo; contudo, não obteve êxito na votação.

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O empresário também teve passagens pela política antes: já em 2022, Márcio concorreu a deputado federal pelo Rio de Janeiro e terminou apenas como segundo suplente da vaga desejada.

Polêmicas judiciais envolvendo os Poncio

A família passou por um grande escândalo judicial há alguns anos. Em 2021, Sarah Poncio precisou devolver seu filho adotado à mãe biológica porque nunca foi concluído formalmente o processo legal de adoção do menor no Brasil.

Os fatos ocorreram quando uma babá dos Ponce viajou até Ceará com o sobrinho de dois anos para sua casa materna em situação vulnerável junto à genitora Mirelly Costa. A criança chegou a ser acolhida pela dupla e mudaram – lhe não oficialmente apenas nomes; ele era registrado como Oséias, mas passaria a conviver sob outro nome na família.

Porém, sem finalizar os trâmites legais da guarda ou tutela, Sarah Poncio e Jonathan Couto simplesmente receberam a criança diretamente das demais famílias biológicas — um processo popularmente chamado “adoção brasileira”.

Em dezembro do mesmo ano (2021), após quase vinte meses com o menor no lar dos Ponce, a mãe de sangue acionou judicialmente para reivindicar seu filho. Ela alegava sofrer problemas psicológicos devido à ausência dele.

Dívidas tributárias atreladas ao grupo empresarial

Os membros da família comandam uma estrutura que reúne mais de 20 empresas diferentes; seis delas atuam especificamente na área tabaco, incluindo marcas como Gudang Brasil e New Ficet. Apesar disso, os altos impostos incidentes sobre este ramo fizeram acumular um passivo significativo: foram registradas em Dívida Ativa da União por não pagamento desses encargos fiscais.

Essas dívidas acabaram sendo transferidas para o CPF dos integrantes do clã. Sarah Poncio é notória pelo acúmulo bilionário — R 1,74 bilhões —, a maior parte referente ao Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) e Cofins devidos à União no nome dela mesmo.

Operação Unha e Carne busca conexões políticas

O pastor preso também possui débitos empresariais registrados diretamente em seu Cadastro de Pessoa Física com um valor idêntico aos da filha; enquanto Simone responde por aproximadamente R 1,45 bilhão em impostos atrasados. Essa mesma rede empresarial do cigarro que financiava o estilo de vida luxuoso serviu como base para as investigações recentes.

A PF prendeu Márcio Poncio sob acusações graves: lavagem de dinheiro e ligações fraudulentas na Barra da Tijuca

A operação cumpriu três mandatos preventivos além dos catorze pedidos de busca e apreensão nos endereços ligados a suspeitos no Rio ou São João de Meriti. Também estão sendo alvos os bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho (Adilsinho), apontado pela Polícia Federal como líder criminoso, e ex – deputado estadual Rodrigo Bacellar; ambos já estavam detidos quando o movimento ocorreu.

Segundo informações oficiais do órgão federal, esta nova fase visa investigar mais profundamente indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo atual grupo que comanda jogos de azar na região fluminense Aprofundamento das investigações

Além disso, busca apurar possíveis conexões entre esse esquema financeiro criminale e membros dos poderes Executivo ou Legislativo no estado. Os investigadores avançaram após analisar documentos apreendidos em etapas anteriores da ação judicial.

Esses papéis teriam revelado uma contabilidade paralela criada para esconder recursos ilícitos acumulados pela família.

Os agentes também identificaram registros suspeitos sobre supostos pagamentos indevidamente realizados e indícios relacionados a doações eleitorais que não seguiram as regras estabelecidas. Por determinação de Moraes (STF), foi autorizado ainda o sequestro imediato de bens e valores até R 22 milhões, tudo isso dentro do contexto mais amplo das investigações abertas pelo STF no julgamento ADPF 635 contra grupos criminosos violentos na região.

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