Samir Iásbeck alerta: IA exige governança rigorosa nas empresas

A Inteligência Artificial (IA) deixou há muito tempo seu papel como mera ferramenta auxiliar; hoje ela está se tornando um agente ativo na operação das empresas.
Segundo Samir Iásbeck, especialista no tema, essa nova fase exige que as organizações tratem os agentes digitais — ou “funcionários invisíveis” —, não apenas por sua capacidade tecnológica, mas pela necessidade rigorosa de governança operacional.
Governança: O controle necessário para a autonomia da IA
O potencial dos novos sistemas é enorme, permitindo acompanhar fluxos complexos e interpretar dados em diferentes áreas. No entanto, o autor alerta que existe uma lacuna crítica nas corporações ao tratar esses agentes como parte do time sem definir regras claras.
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Assim como seria obrigatório colocar um funcionário novo dentro das operações estratégicas definindo acesso, responsabilidade e supervisão, os mesmos princípios devem valer pelos robôs digitais na empresa. Um sistema simples lendo relatórios internos não carrega o mesmo peso de impacto quanto uma ferramenta capaz de recomendar decisões comerciais importantes para a companhia.
É fundamental entender essa gradação: sugerir respostas para clientes é diferente de permitir que um agente envie mensagens automaticamente em nome da marca; portanto, maior for o grau de autonomia concedido à IA, mais alto deve ser necessariamente o nível de controle estabelecido pela gestão corporativa.
O desafio entre velocidade tecnológica e governança
Atualmente, observa – se um ritmo acelerado na adoção dessas tecnologias muito superior ao desenvolvimento dos mecanismos necessários de governança. Uma pesquisa global realizada por Deloitte aponta que inteligência artificial deverá avançar rapidamente nos próximos anos no setor empresarial inteiro.
Apesar dessa projeção clara do mercado, muitas organizações ainda não desenvolveram estruturas maduras para administrar agentes autônomos em larga escala. Na prática, a tendência é criar capacidade operacional antes mesmo estabelecerem as responsabilidades operacionais correspondentes aos novos sistemas digitais.
Questões básicas: quem acessa e como auditar
Existem perguntas fundamentais sem resposta na maioria das empresas hoje sobre o uso da IA. Por exemplo, quais dados específicos podem ser liberados ou consultados pelos algoritmos? Quem tem autoridade final de aprovar determinadas ações executadas por um agente digital?
Além disso, falta clareza no processo que identifica uma decisão tomada exclusivamente pelo sistema automatizado — existe alguma trilha completa para auditoria dessas decisões críticas do dia a dia corporativo?
O cenário brasileiro com soluções externas
Essa discussão ganha ainda mais relevância em nível nacional devido à forma como as companhias brasileiras estão incorporando essas tecnologias: principalmente através de fornecedores externos e softwares prontos. Segundo o Ceticbr divulgou dados importantes sobre esse tema.
Os números mostram que 80% das empresas nacionais utilizadoras de IA adotaram sistemas ou programas já existentes, enquanto cerca de metade (60%) contratou parceiros fora da empresa apenas para desenvolverem ou adaptarem tais soluções específicas ao seu negócio próprio.
Responsabilidade humana na liderança digital é inegociável
Essa realidade indica um ponto crucial: muitas organizações não constroem seus próprios códigos do zero; elas estão incorporando tecnologias desenvolvidas por terceiros em suas operações diárias e isso eleva a necessidade urgente de mapear as permissões concedidas. É preciso entender exatamente quais riscos vêm junto com cada inovação tecnológica adquirida no mercado externo.
A responsabilidade deve ser vista como algo que permite o escalonamento tecnológico sem, contudo, transformar essa eficiência crescente numa vulnerabilidade sistêmica para os negócios mais amplos da empresa.
O foco dos líderes precisa mudar:
Em vez de perguntarem quantos agentes digitais podem trabalhar na companhia, eles devem se concentrar nas atividades específicas que realmente precisam ou poderiam ter sido delegadas à IA; em seguida, definir claramente onde é indispensável a supervisão humana e estabelecer limites intransponíveis nunca permitidos pelo sistema digital.
O futuro corporativo terá cada dia mais colaboradores com natureza puramente digital atuando no cotidiano das empresas brasileiras. Contanto que esse novo integrante seja colocado em ação pelos setores empresariais, o passo essencial antes deve ser definido: quem será legalmente responsável por ele?
Embora uma inteligência artificial possa executar tarefas complexas 24 horas por dia — analisando milhares de informações —, essa responsabilidade final precisa permanecer sempre ligada ao nome humano, cargo específico da liderança ou à governança clara do setor empresarial.**
*Samir Iásbeck é fundador da CerebeloAi e empreendedor na área tecnológica desde 1996.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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