Senadora Cleitinho Azevedo investigada por ligações financeiras complexas

Senadora Cleitinho Azevedo enfrenta investigações por ligações financeiras complexas envolvendo família e aliados políticos.

13/07/2026 15:01

5 min

O senador Cleitinho (Republicanos-MG). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
O senador Cleitinho (Republicanos-MG). Foto: Waldemir Barreto/Ag...

O senador Cleitinho Azevedo aparece em pesquisas eleitorais sobre o governo de Minas Gerais; contudo, ainda não confirmou se disputará um possível pleito pelo cargo máximo do estado.

Ex – vocalista e ex – feirante, que brinca com possíveis adversários dizendo poder esperar até agosto para “deixar esse povo mais doido”, terá que responder por diversas relações políticas e financeiras caso decida concorrer ao executivo mineiro.

A disputa pela governança estadual segue sem eixo definido enquanto os aliados trazem à tona questionamentos sérios envolvendo dinheiro público e grandes negócios familiares no setor político local.

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Ligações Políticas: O papel da família Coelho Diniz

A relação entre Cleitinho Azevedo é considerada maior do que o simples vínculo de suplência na chapa original em Minas Gerais, segundo apurações jornalísticas recentes sobre a eleição. O filho dele, Alex Sandro Coelho Diniz — empresário filiado ao PL —, foi apontado como um dos principais articuladores dessa conexão. Ele não só forneceu apoio financeiro crucial para Cleitinho durante sua campanha em 2022 com R190,4 mil; mas também assumirá automaticamente vaga no Senado até seu mandato terminar em 2031 caso o senador seja eleito e tome posse.

Os laços financeiros se estendem por outros membros da família: Henrique Coelho Diniz repassou à candidatura mais de R140 mil, enquanto Fábio Coelho Diniz contribuiu com R 40 mil individualmente. Juntos os três irmãos movimentaram um total que somaria R370,4 mil.

Esse valor representa uma fatia significativa — cerca de 52,2% do montante declarado pela campanha na Justiça Eleitoral para a disputa senatorial naquele ano.

Escândalos Financeiros Envolvendo Aliados Políticos

Além dos laços familiares em Minas Gerais, o senador também está ligado ao escrutínio sobre figuras políticas próximas e financiadoras da sua trajetória no Senado Federal. Um caso recente envolveu Euclydes Pettersen, deputado federal presidente do Republicanos local; ele foi um articulador importante que se tornou fiador potencial dessa possível candidatura estadual.

Pettersen é alvo de investigações por parte da Polícia Federal (PF) relativas aos descontos não autorizados feitos nos benefícios previdenciários pagos pelo INSS.

Investigações na Conafer: Acusações graves

Segundo planilhas obtidas pela Conafer— entidade representativa do setor rural —, o nome de pettersen aparecia com codinome “Herói E”. A PF descreveu – o como “pessoa melhor paga” em uma lista relacionada a propinas. Os investigadores alegaram que ele teria recebido, no mínimo, R 14,7 milhões para oferecer proteção política dentro de um esquema maior. Este mesmo grupo criminoso movimentou mais de R708 milhões e afetaria diretamente milhares de aposentados e pensionistas.

Um relatório apresentado pelo relator Alfredo Gaspar (PL – AL) identificou até 30,1 milhão de reais repassados pela rede empresarial ligada ao deputado Pettersen. O documento solicitou o indiciamento do político por crimes como organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato — pedido votado em 19 votos a favor contra 12 contrários.

Aeronaves suspeitas

O material investigativo também aponta transações envolvendo uma aeronave Cessna monomotor que teria sido comprada por pettersen com um sócio no ano de 2021 pelo valor de R320 mil; ela foi vendida dois anos depois, já em 2023, por R400 mil ao presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT), cunhado do líder da Conafer. Em mais detalhes sobre o uso dos bens: Em 2025, a mesma máquina teve seu repasse feito pelos valores totais para os secretários da confederação. O relator sugeriu essa movimentação como uma forma usada para ocultar quem eram verdadeiramente os proprietários.

Outros envolvidos no escândalo Pettersen

A investigação não parou nos líderes políticos; ela alcançou assessores de gabinete também ligados à esfera ruralista em Minas Gerais. Leandro de Almeida Lima Alves foi secretário parlamentar do grupo e recebeu R 1,65 milhão proveniente de empresas ligadas à Conafer entre 2021 e 2025. O relatório aponta que ele pilotava aeronaves usadas pela confederação e transportaria o presidente da entidade durante esse período investigado.

Um segundo piloto citado é Carlos Bertozzo: contratado como assessor no ano de 2023—, quando já havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal por integrar uma organização suspeita em transportar cocaína vinda da Bolívia. Segundo informações do Intercept, anotações indicavam até mesmo um transporte superior a mais de uma tonelada dessa droga para cidades paulistas.

A corrida mineira segue incerta

Enquanto os escândalos financeiros cercam alguns aliados e financiadores potenciais na política estadual, o cenário eleitoral continua indefinido. Mateus Simões (PSD) é quem governa desde que Romeu Zema saiu no cargo; porém, nas pesquisas recentes ainda fica atrás dos números apresentados pelo nome Cleitinho Azevedo.

Outros partidos também se movimentaram: O PT esperou meses por Rodrigo Pacheco (PSB), tentou com Marília Campos (PT) ou buscou nomes fora do partido. Atualmente há interesse em Patrus Ananias (PT). Alexandre Kalil mantém sua pré – candidatura sob a bandeira PDT e Gabriel Azevedo insiste na disputa pelo MDB.

Desculpas públicas marcam o senador

Ainda sobre os bastidores, foi noticiado que Cleitinho voltou à tribuna no Senado para pedir desculpa pela fotografia específica solicitada de Virginia Fonseca durante uma CPI das Bets. Ele se referiu ao episódio como seu único erro dentro da Casa Legislativa federal.

Independentemente dos atos atribuídos aos assessores ou familiares próximos — seja ele do suplente em Minas Gerais, fosse um presidente partidário —, a candidatura presidencial exige mais perguntas. A disputa não avalia apenas quem é pessoalmente; ela questiona também por trás: Quem financiou o projeto?

E qual rede está organizando esse caminho até o poder?

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