Teste de DNA revela origens distintas do vira-lata caramelo

O popular “vira – lata caramelo”, ícone cultural brasileiro sem raça definida específica, é composto por uma mistura complexa de origens genéticas únicas, revelou análise feita na Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores investigaram amostras de três cachorros — Jenny, Valente e Frevo —, mostrando que sua aparência similar esconde histórias ancestrais muito diversas.
Os resultados foram apresentados no último domingo, 26 pelo programa Fantástico da TV Globo. Segundo os cientistas envolvidos, a grande diversidade encontrada reforçou o fato de que ter pelagem caramelada não significa um tronco comum para esses animais do cotidiano nacional.
A composição genética dos cães caramelo
Para realizar o estudo, foi coletado material genético com cotonete na gengiva das máquinas em São Paulo (Jenny), Rio de Janeiro (Valente) e Recife (Frevo). Esse DNA comparou – se com milhares de marcadores capazes de identificar características específicas de diversas raças caninas ao redor do mundo.
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Embora todos apresentassem aquela tradicional cor caramelo — característica muito popular no Brasil—, os testes revelaram composições geneticamente distintas. Antes da análise laboratorial, tutores e especialistas já haviam feito palpites sobre as possíveis origens: Valente lembrava um pastor alemão; Frevo era apelidado carinhosamente de “labradoido”; Jenny também despertava associações passoras.
Mistura ampla versus expectativas iniciais
Os exames foram mais abrangentes que qualquer expectativa inicial dos envolvidos. O cão Valente apresentou traços variados como boxer, galgo espanhol, chihuahua, bulldog campeiro e ainda o pastor americano miniatura e branco suíço. Além disso, cerca de 75% do seu DNA pertencia a outras raças sem uma predominância clara em nenhuma delas.
Já no caso de Frevo, ele reuniu influências genéticas diversas — incluindo fila brasileiro, dberman, pumi, spino degli Iblei e beauceron —, além das contribuições de aproximadamente 62 outra razas para compor seus genes (cerca de 74%.
A singularidade genética da Jenny. Jenny também mostrou um histórico misto extenso; contudo, chamou atenção por possuir porcentagem significativa que sugere o provável parentesco com algum exemplar puro. Essa análise reforça a complexa tapeçaria biológica do vira – lata.
O significado cultural da pelagem caramelo
Questionada sobre como surge essa cor tão marcante em tantos animais diferentes, uma geneticista responsável pela pesquisa explicou que não há ligação entre a tonalidade caramelizada e qualquer raça específica de cão. Ela detalhou mecanismos genéticos variados capazes de produzir esse tom vibrante na pele dos caninos.
De acordo com os pesquisadores, cerca de 40% dos vira – latas exibem esta coloração natural no Brasil, o tornando um padrão muito comum nesse grupo populacional animal. Segundo as especialistas veterinárias envolvidas, é importante entender também que esses resultados mostram claramente: mesmo quando parecem idênticos à primeira vista, eles podem ter ancestrais completamente diferentes em termos biológicos.
Diversidade como reflexo do país
Para a médica – veterinária Rita Ericson, essa grande diversificação genética ajuda justamente na explicação da forte identificação cultural brasileira pelo cão caramelo. Ela comparou esse cenário ao próprio povo brasileiro e afirmou não existir apenas “um modelo” para os vira – latas; estes variam muito quanto porte físico, cor de pelagem, temperamento ou origem genérica no geral.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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