Valdemar Costa Neto investiga esquema com R119 milhões bloqueados por PF

Valdemar Costa Neto sob investigação por esquema de corrupção envolvendo R119 milhões bloqueados pela Polícia Federal com base em mensagens apreendidas.

10/07/2026 13:30

3 min

WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO – 23/11/2022
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO – 23/11/2022

Mensagens obtidas pela Polícia Federal e citadas na decisão do ministro Flávio Dino revelam detalhes sobre o funcionamento de um esquema envolvendo Valdemar Costa Neto no Congresso Nacional. O material é parte da investigação decorrente da Operação Transparência e foi usado para embasar bloqueios que atingiram R 119,2 milhões em bens ligados ao dirigente partidário.

A Jovem Pan teve acesso à íntegra dos diálogos entre servidores responsáveis pelo processo das emendas dentro da Câmara dos Deputados. As conversas internas apontaram como as indicações feitas por ele eram tratadas pelos funcionários parlamentares.

Como operava o esquema de distribuição?

Em um trecho específico do diálogo analisado pela Justiça Federal, uma servidora comenta com a colega sobre os cadastros: “as do Valdemar já estamos terminando de cadastrar”. Segundo Dino na decisão judicial, essa fala indicaria que havia tratamento diferenciado para apurar e registrar apenas as sugestões vindas das Indicações dele em comparação às demais fontes.

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Outro episódio registrado mostra mais detalhes da operação. Um servidor ocupante de cargo ligado à liderança do PL (Partido Liberal) relatou ter marcado reuniões diretamente com Valdemar Costa Neto. Após o encontro, ele retornava munido dos valores definidos — cerca de R 24 milhões destinados especificamente ao setor de Turismo —, além de enviar listas contendo municípios e CNPJs beneficiários dessas verbas.

A fraude se tornaria ainda mais evidente quando uma servidora encaminhou a planilha intitulada “Alteração em Turismo – VCN”. Nela, ela explicava que Valdemar havia solicitado trocar algumas das indicações feitas no dia anterior sobre turismo porque os respectivos municípios não conseguiriam executar as obras ou serviços propostos nos termos originais do plano financeiro.

O “arranjo decisório paralelo” apontado pela Justiça

Para o ministro Flávio Dino, esses diálogos internos demonstram claramente como Valdemar participou diretamente da definição dos destinos e valores destinados pelas emendas públicas. Esse envolvimento teria ocorrido mesmo sem ele exercer um mandato parlamentar ativo na época investigada.

A decisão judicial também destacou que deputados federais foram formalmente registrados no sistema oficial de indicações das verbas — procedimento esse considerado a investigação por conferir uma falsa aparência de legalidade ao esquema financeiro desenhado pelos agentes políticos citados.

O Supremo Tribunal Federal (STF) utilizaria os elementos apurados para reforçar o indício do chamado “arranjo decisório paralelo”. A Justiça entende, portanto, haver sinais claros não apenas de desvio de finalidade nos recursos públicos aplicáveis às emendas partidárias e eleitorais. O espaço está aberto caso Valdemar Costa Neto deseje se manifestar sobre as acusações feitas pela Polícia Federal na decisão judicial que impacta sua esfera política atual.

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