Arábia Saudita lança Esports World Cup internacionalmente em Paris

A Arábia Saudita busca consolidar seu papel como um polo global para a indústria de games e esports em escala mundial. Essa ambição é materializada na Esports World Cup (EWC), que realizará sua primeira edição internacional completa pela cidade de Paris, durante sete semanas.
O evento promete reunir mais de 2 mil jogadores representando cerca de 200 clubes internacionais dos países participantes. Em total disputa estão US 75 milhões — valor estimado por volta de R 410 milhões —, o montante recorde já oferecido pelo torneio até hoje.
A competição não só terá uma vasta cobertura midiática com quase 7 mil horas de conteúdo ao vivo transmitido para além de 160 países; ela também conta com a venda prévia de mais de 100 mil ingressos antes mesmo da abertura oficial em París
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A mudança estratégica: do Oriente Médio à Europa
Criada como parte dessa estratégia saudita, que visa transformar um setor ainda marcado pela instabilidade financeira e fortalecer os clubes locais, a Esports World Cup chegou agora ao terceiro ano realizando o evento fora dos Emirados. Pela primeira vez na história recente, a competição deixou Riad.
Segundo Mike McCabe, diretor de operações e vice – CEO da fundação organizadora, essa decisão permite testar uma nova estrutura operacional no coração europeu. A escolha por Paris oferece aos participantes “a oportunidade de atrair uma base de torcedores totalmente diferente”, segundo ele; é possível observar esse novo público apoiando as equipes em disputa.
A transferência do torneio também foi influenciada pelas atuais condições globais: restrições para viagens internacionais, dificuldades com emissão de vistos ou alertas de segurança tornaram o movimento necessário — avaliando desde cancelar até adiar os jogos na capital saudita
O desafio econômico e a busca pela sustentação
Por trás da grandiosidade dos campeonatos está um projeto que vai muito além das premiações. A fundadora pretende utilizar este evento massivo como catalisador financeiro para tornar toda uma indústria mais robusta em termos estruturais.
“Faz parte da estratégia nacional do Reino transformar a Arábia Saudita num polo global, assim como acontece com China ou Estados Unidos”, afirma Mohammed Al Nimer, diretor comercial da Esports Foundation. A longo prazo, o objetivo é elevar relevância comparável à de grandes eventos esportivos mundiais; “esperamos nos próximos dez ou quinze anos falar sobre essa Copa Mundial no mesmo patamar daqueles maiores torneios globais”.
Estrutura e parcerias para um mercado estável
Para garantir que os clubes se mantenham lucrativas — pois muitos dependem diretamente das premiações —, a fundação trabalha em modelos operacionais inovadores. A organização não apenas financiou as competições gerais entre países mas também mantém programas focados na estabilidade dos times.
Atualmente, o programa conta com 40 clubes parceiros de diferentes nacionalidades, incluindo equipes brasileiras; parte desses recursos é distribuída por meio do campeonato geral destinado aos melhores desempenhos nas diversas modalidades. Outro pilar fundamental são as alianças estratégicas: uma parcela crescente dos torneios da EWC passa sendo organizada junto às próprias publicadoras e desenvolvedoras mais conhecidas globalmente (como Riot Games ou Valve.
Assim, a competição se integra ao calendário oficial de cada jogo. McCabe explica que “não somos apenas nós organizando”; essa integração permite à fundação assumir grande parte da estrutura operacional.
Festivalização para atrair o público em massa
A ambição saudita não é só sediar campeonatos; ela busca transformar os esports numa experiência cultural completa. A organização planeja levar a Esports World Cup além do nicho dos torneios profissionais. Para isso, na terceira edição será apresentada como um verdadeiro festival dedicado à cultura gamer — ou seja, uma celebração comunitária e muito mais ampla de todas as formas que envolvem jogos eletrônicos no cotidiano das pessoas
“Nossa meta com EWC ser exatamente esse: virar festa”, afirma McCabe. O objetivo dessa expansão para entretenimento visa aumentar o tempo em campo (ou nos locais) dos visitantes, diversificar fontes de receita e atrair patrocinadores ainda não familiarizados apenas pelos esportes eletronicos.
O Brasil visto como mercado prioritário
Em termos globais, a China lidera os rankings por movimentação financeira na área; ela registrou US 54,6 bilhões em receitas vindo do setor até 2024. Os Estados Unidos seguem logo depois com cerca de US 50,8 bilhões. O Japão aparece no terceiro lugar pelo valor registrado nesse mesmo período globalmente falando.”
“Para nós o Brasil tem uma comunidade apaixonada que gera um público expressivo para essa Copa Mundial”, afirma Al Nimer sobre as expectativas da fundação e seu foco estratégico.
A expectativa é transformar competidores dos games eletrônicos — como os times brasileiros já fazem— numa categoria profissional mais estável; “acreditamos que futuramente um jogador desses esports poderá se tornar tão grande quanto aquele atleta do futebol em países aqui vizinhos”.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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