Bolsonaro e Figueiredo defendem fim de aumento tarifário nos EUA

Bolsonaro e Figueiredo buscam revogar aumento tarifário nos EUA diante de pressão americana.

06/07/2026 10:56

3 min

O senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Sergio Lima/AFP
O senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Sergio Lima/AFP

As audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) começam nesta segunda – feira, dia 6, às 11h de Brasília, em Washington DC. O evento marca o último estágio aberto contra o Brasil antes da decisão prevista para 15 de julho sobre um possível novo aumento tarifário na faixa de 25% aplicável aos produtos brasileiros.

Durante dois dias completos, representantes diversos — incluindo setores industriais e agronegócio, empresas privadas, associações setoriais e a sociedade civil— apresentarão argumentos tanto favoráveis quanto contrários à medida que se baseia na Seção 301 da legislação comercial norte – americana.

As discussões ocorrem dentro da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos e estão divididas em quatorze painéis distintos; cada expositor terá cinco minutos cronometrados para defender seu ponto de vista perante o USTR antes das perguntas do órgão regulador.

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O debate sobre as tarifas no setor privado

Embora os representantes brasileiros estejam presentes nas audiências, é importante notar que o governo brasileiro formalmente considera este espaço como um fórum destinado exclusivamente ao diálogo entre setores privados. Segundo a posição oficial brasileira, qualquer negociação bilateral deve ser conduzida por canais diplomáticos estabelecidos pelos dois países envolvidos.

A atenção tem se voltado particularmente à participação política e influenciadora em Washington DC., com nomes como Flávio Bolsonaro (PL – RJ) e Paulo Figueiredo discursando contra a adoção das taxas elevadas de imposto. Ambos estão inseridos no grupo dos principais articuladores responsáveis pela ofensiva junto ao atual governo Donald Trump— uma série de medidas que culminou na abertura da investigação comercial do Brasil e numa escalada crescente nas pressões sobre o país brasileiro desde 2025.

Quem defenderá ou contestará as tarifas

A maioria das entidades brasileiras argumenta publicamente, durante os painéis em Washington DC., que qualquer aumento tarifário prejudica tanto economicamente o próprio Brasil quanto também os Estados Unidos; esse é um consenso devido à elevação geral nos custos operacionais para cadeias produtivas integradas.

Entre aqueles presentes na segunda – feira 6 estão Andressa Silva (Abiarroz), Marcelo Schunn Junqueira da Sociedade Rural Brasileira e Fernanda Carneiro de CNA, além dos representantes Marcos Matos do Cecafé. Também participaram Kristina Rosales em nome da Amcham Brasil.

A programação segue com mais nomes importantes no dia seguinte; Flávio Bolsonaro estará presente para falar junto ao ex – diretor geral da OMC, Roberto Azevêdo — que representará CNI —, assim como Letícia Sperb Masselli pela Abicalçados.

Reações políticas após o pedido de suspensão

Um ponto central nas audiências foi a manifestação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL – RJ), juntamente com vice – presidente JD Vance e secretário estadual Marco Rubio. Eles solicitaram formalmente à USTR umasuspensão por 180 dias do aumento tarifário.

O argumento apresentado é estratégico: segundo ele, aplicar essa sobretaxa não pressionaria menos ainda; ao contrário, fortaleceria mais Lula em termos eleitorais no Brasil.

Repercussão internacional da disputa comercial

A atuação desse grupo político levou o Ministério das Relações Exteriores a reagir publicamente após Flávio Bolsonaro pedir espaço para falar na audiência de Washington DC.. Em nota oficial divulgada pela pasta, foi afirmado que “o tarifaço tem sua origem em uma tentativa clara e direta de interferência externa na Justiça brasileira”.

O Itamaraty também usou um tom incisivo ao declarar: “Para os traidores desta Pátria é devido apenas um pedido de desculpas pelas tarifas impostas aos milhares de brasileiros”. A investigação aberta pelos Estados Unidos questiona diversas políticas brasileiras — como as relacionadas à propriedade intelectual ou o combate à corrupção —, sendo essas manifestações nas audições usadas como subsídio para a decisão final do governo Trump no dia 15 de julho.

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