Brasil busca se destacar na IA: desafios e oportunidades em debate no AI Summit

IA: O Brasil Pode Ser Apenas Consumidor ou Criar Valor na Nova Economia?
O futuro da inteligência artificial (IA) foi o tema central de um painel realizado no AI Summit EXAME, em São Paulo, em 2 de junho de 2026. O evento, que reuniu especialistas e líderes, discutiu como o Brasil pode se posicionar nesse novo cenário econômico e geopolítico, que se baseia em uma nova camada de disputa.
O debate abordou a transformação de políticas públicas, o desenvolvimento econômico e os desafios relacionados à geopolítica e à infraestrutura do país.
Desafios e Oportunidades na Adoção da IA
Celso Camilo, mestre e doutor em Inteligência Artificial, destacou que a IA é parte de uma longa história de revoluções tecnológicas, impulsionadas por processos mais baratos, rápidos e melhores. Ele enfatizou que a IA representa um ciclo em uma espiral de desenvolvimento, onde tecnologia e sociedade se adaptam mutuamente.
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Luis Fernando Prado, sócio do Prado Vidigal Advogados, ressaltou a importância de equilibrar regulamentação com incentivos ao desenvolvimento tecnológico, capacitação profissional e investimento em infraestrutura, em vez de focar apenas em restrições.
O Debate Sobre a Regulamentação
A discussão sobre o Projeto de Lei 2.338/2023, que regulamenta o uso de sistemas de IA no Brasil, foi um ponto central do painel. Prado criticou a ausência de um discurso sobre requalificação profissional, um desafio social importante da IA, especialmente diante das rápidas mudanças no mercado de trabalho.
Ele observou que o projeto de lei, com seus 40 ou 50 artigos, não aborda essa questão, apesar da ênfase dada pelos CEOs das grandes empresas de tecnologia.
Iniciativas Brasileiras e a Importância da Colaboração
Os participantes também mencionaram iniciativas brasileiras no desenvolvimento da IA, como o Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás, que trabalha com empresas de diversos setores, incluindo energia, segurança e finanças.
Destacaram-se projetos como o GAIA, um modelo de linguagem aberto voltado ao português brasileiro, desenvolvido em parceria com o Google, e o Lumina, voltado à IA genômica. Esses casos reforçaram a necessidade de uma colaboração entre universidades, setor privado e poder público para ampliar a capacidade tecnológica do país.
Desafios da Implementação e Governança
Além das questões estratégicas, o painel abordou os desafios práticos para as empresas que buscam incorporar a IA em suas operações. Lopes mencionou o fenômeno do “shadow AI”, onde os colaboradores usam ferramentas de IA informalmente, gerando ganhos de produtividade que as empresas não querem bloquear.
A discussão enfatizou a necessidade de criar uma governança que reduza riscos sem frear a experimentação e que permita a transformação de modelos de trabalho e remuneração. A infraestrutura necessária para sustentar o avanço da IA também foi um ponto importante, com Camilo lembrando que o Brasil possui condições para receber data centers, mas que a soberania tecnológica depende de um desenvolvimento próprio de modelos e aplicações.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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