Coca-Cola e Tesla criticam tarifa sobre produtos brasileiros no governo americano

Tesla denuncia tarifas sobre produtos brasileiros no governo americano, alertando para prejuízos na cadeia produtiva global em 2026.

07/07/2026 09:36

3 min

JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
JUSTIN SULLIVAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Gigantes como Coca – Cola e Tesla se manifestaram contra uma proposta do governo dos EUA em impor tarifa adicional sobre diversos produtos brasileiros.

A medida foi discutida no Escritório do Representante Comercial Americano (USTR), cujo prazo final para comentários terminou dia 1º de julho**. As empresas argumentam publicamente nos canais oficiais da agência americana — baseada na Seção 301 —, alegando prejuízos a curto prazo nas cadeias produtivas americanas, além de impactos negativos que atingiriam também os consumidores americanos.

Impacto das tarifas propostas pelo USTR

O dispositivo legal conhecido como Seção 301 permite aos Estados Unidos aplicar taxas coercitivas sobre mercadorias vindas de países cujas atividades supostamente prejudicam o setor comercial americano.

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Em seu pedido formal junto ao USTR, Coca – Cola solicitou que seja mantida integralmente a proposta original de isenção voltada aos insumos provenientes do Brasil na categoria laranja.

Além disso, pediu o acréscimo ou uma “exclusão equivalente” no regime transicional aplicável também aos fornecimentos nacionais de limões usados nas cadeias produtivas de refrigerantes e sucos.

Dificuldade em substituir produtos importados

A empresa argumenta sobre os desafios logísticos da substituição

Coca – Cola explica ainda que retirar esses itens brasileiros forçaria toda a indústria americana a buscar novos provedores rapidamente — um processo complexo com aumento imediato nos custos operacionais.

Para revalidar qualquer novo suprimento, são necessários procedimentos rigorosos como revisões completas de segurança alimentar ou testes específicos para cada tipo de produto; “essa transição não ocorre de forma imediata”, afirma o grupo.

Outro ponto levantado foi considerar as safras locais dos EUA. A produção doméstica desses insumos cítricos tem sido prejudicada por questões climáticas e doenças nas plantações americanas em geral.

Tesla alerta sobre a dependência das cadeias internacionais

Montadora sugere exclusão gradual do Brasil

A Tesla— montadora elogiada pelo Elon Musk —, embora apoie, no longo prazo, medidas que visem à reindustrialização americana e ao fortalecimento da resiliência de suas próprias redes produtivas nos Estados Unidos, fez um aviso importante.

“Essa transição levará tempo”, alertou o comentário enviado pela empresa aos EUA.

Segundo os dados apresentados por ela, alguns insumos ainda não podem ser obtidos em escala suficiente dentro dos próprios limites americanos para permitir uma manufatura competitiva sem depender das “cadeias internacionais já estabelecidas”.

Impacto na produção industrial

A montadora pede consideração do ritmo produtivo

Em sua conclusão junto à agência americana, a Tesla sugeriu que seja considerada pelos funcionários da Seção 301 um impacto sobre fabricantes norte – americanos e excluísse produtos brasileiros considerados essenciais.

“Uma medida tarifária […] corre o risco de causar impactos significativos tanto para os consumidores quanto para toda a indústria”, alertou ainda a empresa.

eBay defende isenção em itens usados ou seminovos

Comércio eletrônico argumenta contra taxar revenda

Um dos maiores sites globais de comércio eletronico também se manifestou: eBay propôs modificar as regras, pedindo que sejam desonerados quaisquer impostos aplicáveis aos artigos “de segunda mão, usados e seminovos”.

A plataforma entende que aplicar tarifas sobre produtos revendidos não cumpre o objetivo principal da investigação Seção 301. Segundo eles, um item já foi comprado por mais pessoas ao longo do tempo.

Danos à economia secundária

O site aponta prejuízo para os vendedores locais

“Uma tarifa imposta no momento em que ocorre a revenda de bens simplesmente penaliza quem está vendendo,” explicou eBay.

Isso poderia fazer com que o mercado americano aumentasse suas compras apenas produtos novos. A consequência seria tornar ineficaz uma política destinada justamente a eliminar práticas brasileiras subjacentes.

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