Comissão Europeia define tarifa para Shein e Temu na importação

Comissão Europeia impõe tarifa à importação de Shein e Temu para combater concorrência desleal e garantir segurança nos produtos.

02/07/2026 12:00

4 min

As gigantes varejistas chinesas Shein e Temu. Foto: ADEK BERRY / AFP
As gigantes varejistas chinesas Shein e Temu. Foto: ADEK BERRY /...

A União Europeia deu um passo significativo na tentativa de conter o que ela chama de concorrência desleal praticada por varejistas online como Shein e Temu.

Elas têm obtido rápido crescimento em todo o mercado europeu com base na venda de itens ultrabaixos provenientes majoritariamente da China, gerando reclamações tanto dos concorrentes locais quanto das autoridades reguladoras.

A regra estabelece a tarifa cobrada por cada classificação aduaneira dentro do pacote importado: se uma remessa contiver três tipos diferentes de produtos, será aplicada uma taxa total de nove euros; já caso os pacotes tiverem vários artigos idênticos — como brinquedos ou vestidos —, apenas trinta centavos serão tarifados no conjunto.

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Historicamente, as isenção tarifas para bens de baixo valor existe há décadas. O limite atual foi definido em dois mil e oito pela legislação que o fixou até cento e cinquenta euros.

Contudo, esse número disparou nos últimos anos:

O volume de encomendas eletrônicas entrando na UE sob essa dispensa saltou drasticamente: passou por um bilhão quatrocentos milhões unidades em 2022 rumo a cinco bilhões e oitocentos milhões unidades já projetadas para 2025.

Preocupações com segurança e concorrência justa

A medida é justificada não apenas pelo aumento do ônus financeiro sobre as alfândegas devido à explosão das importações; também visa enfrentar riscos relacionados à segurança causados pela entrada dessas mercadorias sem fiscalização adequada.

A Comissão Europeia, responsável pela política comercial da União, enfatiza que este objetivo de nivelar condições se aplica entre empresas europeias e estrangeiras, nunca direcionando qualquer país específico como China ou outro bloco econômico.

Legisladores apontam falhas graves no controle: o chefe do Comitê de Comércio do Parlamento Europeu relatou em 2025 inspeções diretas por toda a UE onde mais dos sessenta por cento itens trazidos — incluindo cosméticos, eletrônicos e brinquedos —, apresentavam documentação inadequada, rótulos ausentes ou ingredientes proibidos para uso na Europa.

Bernd Lange considerou “praticamente impossível” administrar essa situação com as verificações normais atuais.

Impacto nos preços e mudanças operacionais

Embora os Estados Unidos já tenham eliminado uma isenção similar ao bloco europeu, o Reino Unido segue um caminho semelhante de mudança regulatória no mesmo sentido do Brasil (que recebeu apelido interno como “taxa das blusinhas”). A taxa fixa permanecerá em vigor até primeiro de julho de dois mil vinte e oito; após esta data, a nova Autoridade Aduaneira da UE deverá iniciar suas operações aplicando tarifas alfandegárias regulares que dependem estritamente do tipo específico de produto importado.

Apesar disso tudo, as plataformas podem decidir repassar esse custo adicional aos consumidores finais caso optem por aumentar os preços dos produtos vendidos online ou pressionar fornecedores para absorver parte desses custos.

Grandes varejistas ajustam processos

Em resposta à mudança regulatória no bloco europeu, grandes players já começaram ajustes operacionais visando melhor rastreabilidade e cumprimento das novas regras comerciais em vigor a partir desta quarta – feira (data não especificada). O Ali Express anunciou que suas páginas exibirão o rótulo “Preço inclui tarifas e IVA” sempre que for aplicável.

Para outros itens de importação, clientes verão uma discriminação clara sobre todos os encargos antes mesmo da conclusão do pedido na compra online.

A Amazon lançou seu serviço ultrabarato Amazon Haul após notar rápido crescimento dos concorrentes como Temu e Shein; para produtos enviados fora da UE no ano passado, por exemplo, ela informou aos consumidores também verem claramente esses custos adicionais ao finalizar a transação em qualquer localidade dentro das fronteiras europeias.

Novas obrigações até o final de dois mil vinte e seis

Olhando adiante, há ainda mais mudanças programadas. A União Europeia tornará obrigatório fornecer dados específicos sobre os itens importados: essa exigência entrará vigorando somente dia primeiroº de novembro do ano dois mil e vinte e seis. Além disso, está planejada uma taxa extra para processamento que deve ajudar as autoridades aduaneiras no aumento dos próprios gastos operacionais com maior volume de encomendas chegando ao bloco; contudo, este valor específico não foi definido.

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