Copan completa 60 anos com todas as lojas ocupadas e reabertura de cinema como complexo cultural

Aos fins de semana, entre 15 mil e 20 mil pessoas circulam pelas galerias do Copan, um dos ícones da arquitetura brasileira. Muitas delas entram na livraria Megafauna, outras fazem fila no Bar da Dona Onça ou apenas atravessam o térreo em direção à Avenida São Luís.
Acima desse movimento, mais de 3 mil moradores habitam os 1.160 apartamentos do edifício. Nos bastidores, uma equipe de 120 funcionários opera sete portarias, 22 elevadores e oficinas de marcenaria e serralheria, mantendo a dinâmica quase autossustentável desse espaço que se assemelha a uma pequena cidade.
Sessenta anos após sua inauguração, o Copan vive um momento próspero, com todas as suas 72 lojas ocupadas e uma fila de interessados por novos espaços comerciais.
Leia também
Além disso, o antigo cinema do edifício será reaberto como um complexo cultural e um mirante voltará a receber visitantes. A administração ainda busca recursos para realizar o ambicioso projeto de restauração da famosa fachada ondulada que transformou o Copan em um cartão – postal da cidade.
Essa recuperação vai além do próprio edifício e reflete uma mudança maior nas ruas do centro histórico de São Paulo, que voltaram a atrair investidores e empreendedores após décadas associadas à degradação e insegurança.
Transformações no centro histórico
O Copan se destaca nesse cenário revitalizado. “O Copan voltou a ser ‘cool’”, afirma Guilherme Milani, síndico e morador do prédio. Ele explica que essa transformação não ocorreu rapidamente; foi resultado de um processo iniciado nos anos 1990, quando moradores e administradores começaram a trabalhar para conter a degradação do edifício. “Quando eu comprei meu apartamento aqui, disseram que eu estava comprando em um prédio que ia ser demolido”, recorda Milani.
A total ocupação das lojas proporciona ao Copan uma dinâmica única para um edifício residencial. O térreo funciona como uma galeria multifuncional, abrigando restaurantes, cafés, livrarias e serviços essenciais para os moradores. O Bar da Dona Onça foi um dos primeiros estabelecimentos a apostar na localização em 2006, quando o centro ainda enfrentava estigmas de abandono.
Atualmente, ele é vizinho de outros negócios como Cuia e Paloma, criando um roteiro gastronômico diversificado.
A reabertura do antigo Cine Copan também promete aumentar o fluxo de visitantes no local. Fechado há décadas, o espaço será reimaginado como Nu Cine Copan, um complexo cultural que contará com capacidade para 440 pessoas e tecnologia moderna em som e imagem.
Manutenção e diversidade no Copan
Do lado de fora, o Copan é admirado como um cartão – postal; por dentro, sua operação lembra uma pequena cidade em constante atividade. Durante uma visita aos bastidores do edifício, diversas áreas pouco visíveis aos visitantes foram reveladas.
No subsolo estão as vagas dos moradores e setores dedicados à manutenção do prédio.
Entre eles existem marcenaria e serralheria responsáveis por reparos internos.
Com 120 mil metros quadrados construídos e uma variedade de apartamentos — desde kitnets até unidades maiores — o edifício reflete a intenção original de Oscar Niemeyer: reunir diferentes perfis sociais sob o mesmo teto. Milani revela que havia cerca de 150 unidades fechadas antes da recente valorização impulsionada pelas locações temporárias.
Essa mudança trouxe novas tensões ao condomínio mas ajudou a reduzir a vacância dos imóveis.
Desafios na recuperação da fachada
Entretanto, o maior desafio continua sendo a recuperação da icônica fachada curva do Copan. Há 12 anos coberta por uma tela protetora, essa obra complexa deve levar três anos para ser concluída se os recursos forem garantidos. A administração planeja realizar a restauração em etapas para facilitar a execução.
A prefeitura já aprovou um aporte inicial de R 13,3 milhões para ajudar nas obras necessárias na fachada — cerca de 22% do investimento total estimado em R 68 milhões. As intervenções incluem desde a remoção de elementos indesejados até a padronização dos letreiros comerciais.
No contexto geral da região central de São Paulo, dados apontam que até abril de 2026 foram abertas mais de nove mil empresas na área. Em todo ano passado, foram quase trinta mil novas empresas criadas na cidade. Além disso, houve crescimento na geração de empregos formais no setor central.
Caminhos futuros para o Copan
Depois de anos lutando contra a degradação e a falta de interesse público pelo centro histórico, hoje o desafio do Copan é gerenciar seu sucesso crescente: administrar listas de espera por lojas novas e receber até 20 mil visitantes nos finais de semana se tornou parte da rotina desse emblemático edifício.
Com isso tudo acontecendo ao redor dele, o maior símbolo do centro paulista não apenas voltou à cena — está transformando toda uma percepção sobre o potencial renovado dessa área urbana.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
Aqui no ZéNewsAi, nossas notícias são escritas pelo José News! 🤖💖 Nós nos esforçamos para trazer informações legais e confiáveis, mas sempre vale a pena dar uma conferida em outras fontes também, tá? Obrigado por visitar a gente, você é 10/10! 😊 Com carinho, equipe ZéNewsAi 📰 (P.S.: Se encontrar algo estranho, pode nos avisar! Adoramos feedbacks fofinhos! 💌)


