Einstein repensa contratações focando habilidades acima títulos

O setor da saúde enfrenta um desafio persistente que é a escassez profissional — enfermeiros, técnicos ou especialistas são citados como exemplos dessa falta generalizada.
A pandemia agravou esse quadro delicado para instituições líderes do mercado, forçando o Hospital Israelita Albert Einstein a repensar totalmente seus critérios internos de contratação, promoção e treinamento. A diretora executiva de Recursos Humanos, Miriam Branco da Cunha, explica em detalhes essa mudança: passaram a valorizar as habilidades individuais das pessoas acima dos cargos formais ocupados na instituição.
Habilidades superando os títulos profissionais
Segundo Bianca Cunha, além da dificuldade com pessoal qualificado no setor privado — que disputa talentos por todo lado —, há uma pressão interna crescente dentro do Einstein. Os atuais gestores estão chegando ao fim de suas carreiras, exigindo um planejamento rápido para preencher essas posições estratégicas futuras.
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Diante desse cenário complexo, o hospital ajustou sua estratégia e definiu quais competências são essenciais para manter toda a operação funcionando bem. Essa lista orienta quem entra em novas funções ou passa pela movimentação entre áreas diferentes na instituição.
Os números comprovam essa mudança: apenas em 2025 houve quase quatro mil colaboradores mudando posição internamente no Albert Einstein, seja através de promoções formais ou trocas departamentais dentro da própria rede.
Formar talentos versus contratar prontidão
Apesar do ganho evidente com critérios mais eficientes de movimento interno — que ajuda muito ao processo seletivo —, Bianca Cunha ressalta um ponto crucial: mudar os filtros não resolve sozinha o problema dos profissionais necessários para todo mercado.
Por isso, a segunda metade dessa equação é dedicada à formação interna.
Para suprir esse gap, Einstein investe em ser uma escola por si só e oferece diversas opções acadêmicas externas, como cursos técnicos especializados na área da saúde; oito graduações (incluindo Medicina e Psicologia) além de pós – graduação e MBAs.
E quem já faz parte desse time conta ainda com acesso contínuo através de sua academia corporativa própria.
A adaptação forçada pela crise sanitária
Essa forma avançada de operar não surgiu do nada ou foi apenas um ajuste recente. O modelo começou a tomar corpo sob o impacto direto dos eventos iniciados no início de 2020. Quando houve declaração mundial sobre COVID em março daquele ano — seguido por São Paulo entrando em quarentena duas semanas depois —, os recursos humanos tiveram que se reorganizar drasticamente, tudo dentro de poucos dias.
Naquela época emergencial, foram contratados mil e oito eitenta e oito profissionais usando processos totalmente digitais num período recorde: catorze dias; além disso, todo processo de integração passou para uma única jornada de trabalho. Milhares também receberam treinamento à distância enquanto as decisões deixaram mais descentralizadas na linha de frente do cuidado ao paciente, com um Comitê composto por 70 pessoas ouvindo diariamente cada grupo funcional.
Bem – estar como risco estratégico
O bem – estar das equipes é tratado no Einstein não apenas como tema exclusivo dos Recursos Humanos, mas sim como parte integrante da gestão de riscos operacionais — algo que a diretora enfatiza.
“Um profissional exausto representa perigo direto para o segurança do paciente”, afirma Bianca Cunha sobre esse princípio fundamental. Para garantir isso em ações concretas estão programas específicos contra violência e assédio aos colaboradores (Proteção de Quem Cuida) ou estudos baseados até mesmo nos dados de faltas ao trabalho, mapeando onde há maior pressão adoecendo as pessoas.
A rede se completa com um Programa de Orientação Pessoal robusto, oferecendo apoio emocional, social, educacional, financeiro e jurídico tanto funcionários quanto seus dependentes na linha de frente da saúde.]
Cultura como gestão contínua
O cuidado interno tem raízes históricas profundas: o Einstein foi fundado pela comunidade judaica paulistana em 1955. A instituição nasceu apoiada por quatro valores fundamentais do Judaísmo — boas ações, justiça social, educação e saúde.
Hoje, manter essa essência viva é visto pelo hospital não apenas uma questão cultural, mas sim um desafio gerencial complexíssimo com a chegada constante de novas unidades. Por isso, medir clima organizacional desde 2011 se tornou rotina; além disso, mapear continuamente as culturas das áreas que expandem ajuda garantir os pontos comuns sem perder suas particularidades.”
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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