Lula critica cobrança de navios no Estreito de Ormuz com acusações de pirataria

Lula denuncia cobrança abusiva em Estreitos de Ormuz como ato pirata com graves implicações geopolíticas.

13/07/2026 15:09

3 min

Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda – feira (13), em visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, que a proposta feita por Donald Trump— cobrar 20% dos navios na passagem pelo Estreito de Ormuz— configura ato de pirataria.

Trump havia declarado mais cedo o plano para os Estados Unidos assumirem controle total do estreito e cobrarem um tipo de pedágio das embarcações sob pretexto de garantir segurança no local estratégico.

Lula critica cobrança como “pirataria”

Ao comentar as declarações americanas sobre desobstruir o caminho marítimo vital, Lula classificou imediatamente a prática. “Hoje ele [Donald] fez um tuíte dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz… mas cada navio, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele”, disse inicialmente.

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O presidente reforçou ainda argumentos históricos contra tal medida: antigamente isso era chamado pirataria e não é cabível cobrar taxas por uma passagem tão importante; segundo seu discurso, essa responsabilidade cabe aos países envolvidos na segurança da via navegável.

Lula também rebateu as justificativas americanas sobre tensões com Irã (IRGC), afirmando ser mentira a alegação de produção nuclear. Ele comparou à situação passada dos EUA no Iraque em 2004 — quando houve acusações falsas de armas químicas —, ressaltando que o objetivo do país persa seria apenas enriquecer urânio para fins científicos.

Controle americano: A cobrança e os argumentos

Trump declarou publicamente “Vamos assumir o controle do Estreito de Ormuz”, segundo ele, posicionando Washington como um “guardião” da passagem estratégica por meio de uma taxa cobrada das embarcações.

O republicano afirmou ainda ser direito iraquiano reembolsar custos dessa operação. Em post na Truth Social, Trump reafirmou a política americana exigindo taxação de 20% sobre toda carga transportada no estreito devido aos chamados “custos necessários” para segurança marítima.

Reações e contexto geopolítico. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) classificou as declarações americanas como “arrogantes”. A cobrança por taxas já foi rechaçada tanto pelos líderes europeus quanto americanos.

As falas também geraram dúvidas em relação ao Comando Central dos EUA (Centcom), que havia negado o domínio persa na hidrovia. Trump comentou a situação da República Islâmica, dizendo que ela não teria mais nada e caracterizando os seus líderes apenas como “negociadores profissionais”.

Outros temas abordados pelo presidente

Além do Estreito de Ormuz, Donald Trump tocou em questões domésticas americanas durante sua fala no Instituto Mauá de Tecnologia.

Ele alertou sobre um possível “shutdown” parcial do governo americano caso fosse ignorada uma regra senatorial chamada *filibuster*, mecanismo que exige 60 votos para aprovar projetos na votação. O ex – presidente também defendeu a aprovação imediata por parte do Senado ao Clarity Act — projeto focado definir o marco regulatório dos ativos digitais nos EUA.

O discurso finalizou com advertências contra outros países como China e muitos demais quererem assumir controle total da inteligência artificial (IA) ou deste grande acontecimento financeiro, pedindo cautela política.

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