Ministro autoriza busca em Roraima por desvio de milhões contra prefeituras

Ministro autoriza busca em Roraima após desvio milionários contra prefeituras expõe esquema fraudulento e má gestão financeira.

03/07/2026 15:56

3 min

Ministro Flávio Dino na sessão plenária do STF Foto: Rosinei Coutinho/STF
Ministro Flávio Dino na sessão plenária do STF Foto: Rosinei Cou...

Uma busca e apreensão está em curso para apurar o possível desvio de cerca de 150 milhões de reais, verbas que foram enviadas por meio de emendas parlamentares aos municípios roraimenses Iracema e São Luiz do Anauá.

MinistroFlávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação na última sexta – feira, dia 3. A ação da Polícia Federal se baseia em relatórios detalhados emitidos pela Controladoria – Geral da União (CGU) sobre um suposto esquema fraudulento envolvendo prefeituras locais e empresários privados no estado de Roraima.

O escopo das investigações aponta fraude nas licitações

Segundo os documentos auditados, o desvio teria ocorrido por meio de práticas que visavam burlar as regras públicas durante processos de contratação. As investigação apontam para falhas graves como falta total de transparência nos gastos públicos na região.

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Os valores repassados foram significativos: Iracema recebeu 55,7 milhões de reais em verbas; enquanto São Luiz do Anauá obteve um montante maior, somando 89,4 milhões de reais. Os relatórios da CGU indicaram não apenas fraudes claras no cumprimento dos contratos firmados,

Mecanismos utilizados e o papel das fontes

A apuração revela indícios robustos tanto de lavagem de dinheiro quanto de má gestão financeira estrutural nas prefeituras envolvidas. O STF manteve a jurisdição sobre os casos devido à possível participação política com foro privilegiado.

As emendas auditadas foram destinadas por deputados federais como Antônio Carlos Nicoletti (PL – RE), Dr. Hiran (PP – RR) e Telmário Mota, além do atual ministro do Tribunal de Contas da União, Jhonatan de Jesus. No entanto, até este momento não há suspeitas ou indicações que apontem para o envolvimento direto de senadores, outros deputados ou ministros na trama criminosa.

Como ocorreu a captura dos recursos públicos

Flávio Dino ressaltou à imprensa um ponto crucial sobre os mecanismos usados pelos investigados: houve uma “fragilização deliberada” no rastreamento das verbas com objetivo claro de apagar qualquer trilha financeira detectável pelo Estado. O esquema supostamente utilizava contas bancárias compartilhadas — incluindo aquela denominada “Gabinete do Prefeito” —, facilitando grande movimentação entre emendas distintas e diferentes fontes federais.

Além disso, o controle da transparência foi ignorado sistematicamente; planos de trabalho na plataforma Transferegovbr estariam inexistentes ou eram meros genéricos, sem que contratos fossem registrados adequadamente no Portal Nacional de Contratações Públicas.

Para Dino, a forma como os recursos foram repassados – desacompanhados de projetos prévios detalhados ou fiscalização adequada –, abriu uma “janela estrutural para captura privada”, operada à margem dos controles exigidos pela Constituição Federal.

O foco principal das autoridades é justamente desmontar essa “simbiose entre administração pública e setor privado”, por meio da qual verbas federais bilionárias seriam desviadas em benefício restrito.

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