Mota-Engil Negocia Aquisição Majoritária na Odebrecht Engenharia

A Mota – Engil está negociando a aquisição de uma participação majoritária na Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), um movimento que promete consolidar o grupo português como potencial líder em infraestrutura no Brasil.
Segundo informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada por fontes da EXAME Insight envolvidas com os detalhes operacionais, este acordo visa criar uma das maiores plataformas nacionais para engenharia civil e projetos estruturais.
Desafios internos antes avançar à compra
A negociação representa unir duas potências: a Mota – Engil traz consigo receita superior aos R 5 bilhões apenas na operação brasileira. Já a Odebrecht Engenharia& Construção oferece um faturamento anual de € 5,3 bilhões junto a uma carteira robusta que soma cerca de € 16 bilhões em obras contratadas até o momento.
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Embora os termos do negócio estejam encaminhados entre as partes, há etapas internas cruciais para serem finalizadas pela própria construtora portuguesa. Um dos pontos é “mastigar” e concluir totalmente a aquisição da Empresa Construtora Brasil (ECB), empreiteira classificada como sexta maior no país; essa participação majoritária já existe na Mota – Engil desde 2012, facilitando parte dessa integração operacional.
Além disso, outro desafio significativo envolve finalizar a compra total de ativos pertencentes à Bahia Mineração (Bamin). O valor estimado desse pacote atinge € 5 bilhões e engloba importantes estruturas regionais: inclui a mina Pedra de Ferro em CaetitéBA, além das ferrovias Fiol I e o Porto Sul localizado em IlhéusBA.
A expectativa é que esse processo seja concluído até o final deste ano civil.
Oportunidade para Odebrecht Engenharia & Construção
Apesar dos desafios estruturais do grupo brasileiro, os executivos da Mota – Engil veem na parceria um ganho estratégico gigantesco no mercado sulamericano; essa região está entre as prioridades globais do conglomerado português com foco até 2030 nos setores de EC (engenharia e construção) e áreas centrais de atuação. No entanto, a construtora não depende operacionalmente desse investimento. Ela manteve sua capacidade técnica intacta junto à carteira diversificada em projetos estratégicos.
Em termos contratuais recentes, o balanço fechou empreendimento ano fiscal de US 4 bilhões em *backlog*, concentrado principalmente nas operações realizadas por Brasil, Angola e Estados Unidos da América. As atividades internacionais representaram uma fatia significativa dos contratos — cerca de 74% —, com predominância naqueles segmentos ligados aos transportes, energia elétrica, refinarias ou plantas industriais que somam quase os 80% do total contratado pela empresa no período analisado.
O papel financeiro para a retomada competitiva
Um benefício crucial esperado desse acordo é o fortalecimento das finanças corporativas da OEC. Embora tenha encerrado sua recuperação judicial logo neste ano (processo aberto em 2024 quando havia dívida declarada de R 4,6 bilhões), ainda há um processo complexo: Novonor, controladora da Odebrecht, segue passando por uma reestruturação que envolve cerca de R 100 bilhões em passivos financeiros totais. Essa situação restringe severamente acesso à construtora linhas essenciais como crédito bancário e garantias exigidas para disputar grandes licitações.
A entrada do investidor externo poderia ampliar a capacidade financeira necessária. Isso permitiria o retorno competitivo pleno na disputa dos maiores contratos de infraestrutura no país — algo já realizado pela OEC historicamente. Mesmo assim, os portugueses reconhecem desafios enormes ao fechar negócio: será preciso mensurar todos os compromissos remanescentes da Odebrecht decorrentes das questões judiciais ou quaisquer contingências regulatórias tributárias ligadas aos acordos firmados após investigações recentes. Mas há um otimismo grande com as projeções futuras; segundo dados apresentados pelo grupo brasileiro, é prevista uma adição de US 37 bilhões em novos projetos até 2032.
A Mota – Engil segue fortalecendo sua presença no mercado nacional. Após assumir o controle integral da ECB e vencer a PPP do túnel Santos Guarujá, por exemplo, ela também conquistou outra concessão rodoviária que exige investimentos estimados na casa dos R 4 bilhões junto à Galápagos Capital e consórcio próprio OEC. A Odebrecht Engenharia & Construção reforçou ainda seu histórico com os portugueses ao afirmar ter parcerias duradouras nos últimos anos de atuação nas áreas brasileira e africana. O grupo não comentou especulações sobre o tema em nota oficial.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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