Pescadores na Grécia recebem €5,3 por quilo de baiacu invasor

Pescadores na Grécia receberão até €5,3 por quilo de baiacu invasor em uma iniciativa do governo grego para conter a expansão da espécie no Mar Mediterrâneo.
A medida visa mitigar os prejuízos que o Lagocephalus sceleratus, um peixe altamente venenoso e exótico, causa aos ecossistemas marinhos locais. As autoridades confirmaram ainda que todo material capturado será congelado antes de ser incinerado nas instalações públicas destinadas ao descarte seguro das espécies ameaçadoras.
O Baiacu Invasor: Origem e Risco Ambiental
Natural dos oceanos Índico e Pacífico, o baiacu chegou até o Mediterrâneo Oriental após atravessar o Canal de Suez em [data não citada]. A espécie foi identificada pela primeira vez na costa da Grécia no ano de 2005 e se espalhou rapidamente pelo sul do Mar Egeu — região onde ele praticamente perdeu predadores naturais.
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Além de ser um animal agressivo que ataca cardumes presos nas redes (causando prejuízos econômicos), seu corpo representa perigo biológico significativo para os humanos. Seus órgãos e a pele contêm tetrodotoxina, uma das toxinas mais potentes conhecidas por causar envenenamentos fatais em seres vivos; já foram registrados casos até mesmo com banhistas sendo mordidos pela espécie invasora.
Danos à pesca: o modelo cipriota como referência
Especialistas apontam que as mandíbulas extremamente fortes do Lagocephalus sceleratus são capazes de rasgar redes complexas ou qualquer equipamento utilizado pelos pescadores durante suas tentativas alimentares no mar Mediterrâneo. Segundo Paraskevi Karajlé, ictióloga e diretora de pesquisas do Centro Helênico de Investigação Marinha (ELKETHE), esse ataque não só causa danos materiais diretos aos equipamentos caros da frota local quanto diminui a quantidade comercializável antes mesmo da captura.
Diante desse cenário crescente em regiões costeiras gregas como Creta, o governo recorreu à experiência internacional para criar um programa compensatório robusto. O ministro Margaritis Schinás informou que essa iniciativa segue modelo já adotado por Chipre, onde os pescadores recebem cerca de 4,73 euros pelo quilo capturado na espécie invasora.
Detalhes do Programa e Relatos dos Pescadores
O projeto cipriota é referência: desde seu início oficial em junho de 2024, ele conseguiu retirar aproximadamente 103 toneladas deste peixe perigoso das águas costeiras. Financiamento vem tanto do Fundo Europeu da Pesca quanto do governo local; o programa prevê pagamentos até o fim de 2029, tendo já destinado cerca de 487 mil euros aos participantes locais.
Os pescadores que operam nas áreas mais afetadas relatam um aumento alarmante na população invasora nos últimos anos e chegam a capturar entre 100 e 200 exemplares por dia em algumas regiões marítimas. Por conta dos danos frequentes, os custos com reparos superaram muitas vezes as horas dedicadas à própria pesca comercial tradicional no mar Egeu.
Ausência de Risco Iminente para Turistas
Apesar do desafio ambiental grave registrado tanto em Creta quanto outras ilhas gregas devido ao baiacu, autoridades locais garantem que o peixe não tem sido observado nas áreas frequentadas pelos banhiantes turísticos principais até o momento. Em nota conjunta emitida pelas associações médicas e ligadas ao turismo da região, foi reafirmado por 16 entidades a inexistência de um risco iminente ou elevado aos visitantes nos destinos mais procurados pelo país europeu.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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