Senador Wagner Acusa US$ 49 Mil em Operação da PF

Senador Wagner detém US$ 49 mil em operação da Polícia Federal, gerando investigação sobre irregularidades financeiras e Banco Master

23/06/2026 11:00

3 min

Reprodução/Polícia Federal
Reprodução/Polícia Federal

A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande porte na quinta-feira, dia 18, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado. A ação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, uma investigação que apura diversas irregularidades financeiras envolvendo o Banco Master.

Durante o cumprimento dos mandados em Brasília, agentes federais localizaram US$ 49 mil em espécie em um quarto de hotel ligado ao parlamentar. Esse valor apreendido excede significativamente o limite de US$ 20 mil, estabelecido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para recolhimento de quantias em investigações na Corte Suprema.

Detalhes da Busca e Apreensão contra Figuras Políticas

Além de investigar o senador, a PF estendeu suas diligências para empresas e residências de Augusto Lima, empresário conhecido por ser o proprietário do Banco Pleno e ex-sócio de Daniel Vorcaro na Bahia. Lima foi o responsável por implementar, no estado da Bahia, um sistema de crédito consignado para servidores públicos que, posteriormente, foi incorporado ao Banco Master, constituindo o principal ativo financeiro da instituição.

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No total, as autoridades federais estão cumprindo um robusto conjunto de 18 mandados de busca e apreensão. As diligências abrangem os estados da Bahia, São Paulo e o Distrito Federal. As medidas cautelares também incluem a proibição de contato entre os indivíduos investigados e a suspensão de passaportes, reforçando o caráter sério das apurações.

Os fatos sob investigação podem configurar, em tese, crimes graves como corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. É importante notar que Augusto Lima já havia sido detido em uma etapa anterior da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi liberado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), não tendo sido alvo de fases subsequentes da operação.

O Escopo da Operação Compliance Zero e o Banco Master

A Operação Compliance Zero visa esclarecer um complexo conjunto de suspeitas de má conduta e irregularidades que envolvem o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. O caso veio à tona no final de 2025, após surgirem indícios de que a instituição teria comercializado produtos financeiros sem oferecer garantias adequadas ao volume de recursos captados, atraindo investidores com retornos considerados atípicos.

Na primeira fase da investigação, Daniel Vorcaro foi detido, e os peritos apontaram que as perdas potenciais decorrentes do esquema poderiam atingir a casa dos R$ 12 bilhões. Desde então, a apuração ganhou múltiplas frentes, passando a examinar possíveis práticas de ocultação de ativos, lavagem de dinheiro e o uso indevido de informações sigilosas.

As investigações também se concentram em operações financeiras realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). Há suspeitas de aportes bilionários e a destinação de recursos que teriam beneficiado agentes públicos ligados ao grupo financeiro.

Com o avanço das buscas, a PF ampliou o foco para incluir pessoas próximas ao empresário e autoridades com suposta conexão com os fatos.

Entre os nomes sob apuração, destacam-se o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que é alvo de investigações sobre possíveis pagamentos relacionados aos interesses do banco. Além disso, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi mencionado em apurações que envolvem a aplicação de recursos do Rioprevidência em fundos associados ao grupo financeiro, evidenciando a amplitude do escândalo.

A complexidade dos crimes apurados sugere uma rede de transações financeiras que cruzam esferas políticas e o setor bancário, exigindo o rigor das medidas judiciais para determinar a extensão do desvio de recursos públicos e privados.

A Polícia Federal continua trabalhando para mapear todas as conexões e determinar a responsabilidade por eventuais crimes de corrupção e desvio de verbas.

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