Tarifaço: Governo Lula espera avançar com os EUA após eleições

Governo Lula busca desarmar tensão com Washington antes das eleições presidenciais americanas.

22/07/2026 16:24

3 min

O presidente Lula (PT) e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Foto: Daniel Duarte/AFP
O presidente Lula (PT) e o ministro das Relações Exteriores, Mau...

O governo Lula mantém a negociação com os Estados Unidos para tentar reverter tarifas impostas aos produtos brasileiros, mas avalia que resolver o impasse será extremamente difícil antes do período eleitoral.

A expectativa de tensão aumentou ainda mais devido à possível confirmação da terceira etapa das ofensivas tarifárias americanas. Essa nova medida é resultado direto de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) sobre cadeias produtivas acusadas de usar trabalho forçado e atingiria diversas nações, incluindo o Brasil.

O anúncio dessa tarifa está previsto até sexta – feira 24.

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Estratégica diplomática em meio ao aperto comercial

No Palácio do Planalto, a leitura interna aponta que Washington não demonstra interesse imediato em flexibilizar as tarifas neste momento político delicado. Auxiliares governamentais avaliam que qualquer recuo por parte da Casa Branca antes das eleições poderia ser interpretado como um sinal negativo no cenário doméstico americano.

A análise sugere ainda uma mudança tônica de Donald Trump: ele parece preferir aguardar os resultados finais nas urnas para definir sua postura política e negociadora. Essa expectativa é reforçada pela crença de que o eventual governo liderado por Flávio Bolsonaro (PL – RJ) teria maior disposição para aceitar condições comerciais rejeitadas pelo atual grupo petista durante tratativas anteriores com Washington.

O risco tarifário do USTR

Enquanto a diplomacia trabalha na negociação, há grande atenção ao potencial impacto da nova sobretaxa americana. O mercado acompanha as expectativas quanto à confirmação dessa tarifa específica nos EUA, valorizada em 12,5%. É importante notar que essa alíquota seria distinta daquela já aplicada anteriormente sob baseamento da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos e atinge um escopo global vasto.

Ainda não houve uma comunicação oficial confirmando se essas novas taxas serão cumulativas; contudo, o governo federal e setores produtivos consideram esta hipótese como bastante provável diante do cenário investigativo.*

Orientação governamental: evitar a escalada imediata

Mesmo ciente das ferramentas disponíveis para responder unilateralmente às medidas adotadas por outros países — incluindo mecanismos formais —, há orientação interna no Planalto sobre cautela. Os integrantes do grupo avaliam que retaliar comercialmente pouco antes de eleições poderia alimentar narrativas defendidas pelos bolsonaristas ou ampliar desnecessariamente qualquer disputa já existente.

“A ideia não é retaliação,” reforçou na terça – feira 21 o vice Geraldo Alckmin (PSB), alertando contra uma lógica simplista como “olho por olho”. Ele esclareceu: “Nós temos instrumentos para fazê – lo, no momento oportuno, da forma adequada.”

Prioridade em negociação e análise econômica. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, adotou um tom semelhante após reuniões com representantes dos setores afetados na mesma terça – feira.

“Continuar negociando, essa é a orientação,” declarou o Ministro, descartando estabelecer qualquer prazo fixo ou reação imediata contra as tarifas americanas. Ele enfatizou que “a lei não nos dá o direito de perder a razão” e garantiu que mecanismos como reciprocidade só serão acionados quando forem considerados adequados e estritamente necessários para proteger os interesses da economia brasileira.

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