Banco do Brasil lidera financiamento rural com riscos ambientais em R306 bilhões

Banco do Brasil intensifica financiamento rural com R306 bilhões em áreas críticas para o meio ambiente.

18/07/2026 21:43

4 min

O avanço das fronteiras agrícolas sabota o esforço para reduzir o desmatamento – Imagem: iStockphoto
O avanço das fronteiras agrícolas sabota o esforço para reduzir ...

Apesar dos mecanismos de fiscalização avançados no setor financeiro brasileiro, cerca de um quinto do crédito rural público concedido entre os anos de 2019 e 2025 foi direcionado a imóveis rurais que apresentam alertas significativos sobre degradação da vegetação nativa.

De acordo com o Monitor do Crédito Rural — nova edição lançada pelo órgão —, foram identificadas mais de 831 mil operações nessas condições alarmantes, totalizando R 92,4 bilhões. O levantamento detalha como esse fluxo financiou áreas sob alerta ambiental em todo o país.

Concentração dos recursos no financiamento agrícola

O período analisado (entre 2019 e 2025) registrou um volume geral de crédito rural público somando impressionantes R 613,18 bilhão para toda a nação. Embora haja mais de 400 instituições financeiras operando nesse mercado complexo, apenas cinco delas concentram aproximadamente 60% do montante globalmente emprestado:

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São elas: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul.

Liderança por operações versus valores. A distribuição dos recursos mostra variações importantes entre o número total de contratos emitidos e os volumes financeiros movimentados pelos bancos líderes no período citado. O Banco do Nordeste realizou em maior quantidade as operações — representando cerca de 56% do volume total —, mas foi o Banco do Brasil que lidera quando se trata exclusivamente de valor financiado, com R 306 bilhões registrados na conta institucional.

Monitoramento ambiental revela desafios legais

O Monitor utiliza um cruzamento robusto de dados provenientes das bases geoespaciais produzidas pelo Map Biomasincluindo alertas sobre desmatamentos ou terras indígenase informações operacionais como aquelas registradas nas plataformas Sicor e Proagro (Sistema de Operações do Crédito Rural.

Essa nova versão da plataforma melhorou drasticamente a capacidade de rastreio:

Paulo Teixeira, pesquisador responsável no Map Biomas, explicou que o monitor passou a acompanhar todas as operações disponíveis publicamente — seja pela gleba física ou por meio dos registros contidos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) —, fazendo com que “a quantidade de operações analisadas mais que duplicou”.

O perfil das concessões: investimentos em pecuária

Em termos gerais sobre os fins desse crédito público desde 2019, constatou – se um foco maior nos investimentos. Mais de dois terços (>68%) dessas operações foram destinadas à finalidade de investimento.

A atividade agropecuária está fortemente ligada ao financiamento; cerca de 58% do montante foi ligado diretamente à pecuária e aproximadamente outros 23% serviram para a aquisição geral de animais no período estudado. Os bovinos se destacam como o principal produto financiado nesse setor, aparecendo nas estimativas das operacões em quase 27%.

Regras legais enfrentando alertas ambientais

O cenário legal é complexo: embora plataformas como Map Biomas Alerta identifiquem perdas na vegetação nativa por meio de satélite, elas não têm poder judicial sobre determinar irregularidade ou validade da supressão vegetal.

A legislação brasileira exige que qualquer desmatamento ocorra sob condições específicas e mediante a obtenção formal de uma Autorização de Supressão de Vegetação (ASV), conforme o Código Florestal Brasileiro. Além disso, há regras claras proibindo concessões em áreas já embargadas oficialmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama.

Mudanças nas exigências bancárias. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou novas diretrizes importantes; inicialmente previstas para dezembro de 2024, essas normas obrigam os bancos a cruzarem alertas satelitais — como aqueles gerados no sistema Prodes— com antecedência suficiente até janeiro de 2027.

Os grandes agentes financeiros também reforçaram seus mecanismos internos. O Banco do Brasil afirmou que sua política veda financiamentos em áreas protegidas ou sob desmatamento ilegal e utiliza um diagnóstico geo socioambiental composto por trinta e três bases públicas distintas na verificação legal das restrições normativas.

Em relação ao monitoramento contínuo da operação, o BNB garantiu nota oficial afirmando que todas as suas concessões seguem estritamente a legislação vigente; além disso, acompanha os contratos durante toda vigência dos recursos emprestados com ferramentas especializadas de sensoriamento remoto.

O impacto financeiro nos estados

Ao analisar onde esses alertas se concentram geograficamente: no número total de operações em sobreposição ambiental (entre 2019 e 2025), foi possível notar um destaque para Piauí. O estado registrou mais contratos nessa condição específica — somando impressionantes 336 mil registros —, enquanto o volume máximo de recurso apontou para Tocantins, que acumulou R 13,9 bilhão; Mato Grosso ficou logo atrás na sequência financeira regionalizada, com seus recursos atingindo os R 13,3 bilhões.

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