Bilionário do Petróleo Usa Água Para Atrair Data Centers de IA em 2026

Apesar de a Bacia do Permiano ser uma região árida no oeste do Texas e apresentar escassez aparente hídrica em seu cenário desértico, o setor petrolífero da área possui um fluxo constante que garante abundância para quem sabe onde procurar os recursos.
David Capobianco, cofundador da gestora Five Point (private equity), explica como essa água é crucial: diariamente, na localidade produz mais de sete milhões de barris de petróleo juntamente com vinte e cinco milhões de barris de água. Esse volume equivale ao consumo diário estimado por toda Nova York; sem esse recurso líquido, a operação petroleira simplesmente “para”, segundo ele.
A estratégia do resíduo hídrico no boom dos data centers
O principal motor desse ecossistema não está apenas nos poços que extraem o óleo bruto ou gás natural barato — um diferencial importante para os centros de dados —, mas sim nas águas residuais geradas pelo processo conhecido como fraturamento hidráulico (fracking.
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Grande parte dessa matéria – prima vem de aquíferos utilizados na atividade e é depois expelida das próprias rochas onde fica depositado petróleo. Essa água sai imprópria por estar saturada com minerais, produtos químicos e salitre.
Historicamente, as operadoras pagavam caro somente para transportar esse resíduo até profundidades remotas no subsolo do Texas e Novo México. Foi nesse nicho problemático que Capobianco identificou uma oportunidade: transformar o descarte em valor estratégico.
Suas empresas processam diariamente seis milhões de barris desse volume residual através da malha logística composta por mais de oito mil quilômetros de dutos e um total de trinta instalações espalhadas entre os estados vizinhos
A aposta na infraestrutura completa
Capobianco apostou firmemente que havia lucro além simplesmente descartar essa água, transformando – a numa peça central para atrair data centers avançados nos territórios petrolíferos dos Estados Unidos — onde já existem quase 400 só no Texas.
O investimento não se limitou à gestão hídrica. A Five Point também garantiu acesso estratégico em outras frentes essenciais: terra barata e o gás natural mais acessível do mundo aos centros tecnológicos de inteligência artificial (IA). O grupo investiu US 2,5 bilhões nessa estratégia até agora, com planos ambiciosos de aportar ainda cinco bilhões dólares ao longo dos próximos cinco anos na região texana
A trajetória que pavimentou a fortuna. Embora Capobianco tenha lapidado essa visão há apenas três anos, suas raízes profissionais remontam muito antes; ele se mudara para Seattle no ano de 2003. Na época, trabalhava em Nova York e atuava como banqueiro de investimentos da Vulcan Capital — gestoras do cofundador Microsoft Paul Allen.
“Naquela ocasião, víamos o petróleo sob uma ótica pouco compreendida”, recorda David sobre aquele período inicial. Ele chegou até investir US500 milhões (R 2,55 bilhões) na construção dos dutos Plains All – American, um sistema que percorre quase vinte nove mil quilômetros desde Alberta, Canadá, chegando a Houston e St.
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O sucesso financeiro em ativos estratégicos
A experiência de Capobianco com grandes investimentos foi marcada por altos riscos financeiros também fora do setor energético tradicional. Após sair da Vulcan Capital após o falecimento de Paul Allen — evento onde ele teve uma disputa judicial sobre lucros —, David decidiu fundar sua própria gestora Five Point no ano de 2012.
“Em vez disso”, explica outro analista ligado ao grupo, “ele criou oito empresas dentro deste portfólio para consolidarem os recursos hídricos e as plantas processadoras na Bacia Permiano”. A estratégia envolveu parcerias diretas; em um exemplo notório, a joint venture San Mateo coletou água junto com gás natural produzido pela Matador Resources
A visão do futuro desértico. Além da gestão dos resíduos industriais, Capobianco também adquiriu terras estratégicas. Em 2021 ele fundou Land Bridge, que hoje detém trechos de terra distribuídos por seis condados no Texas e Novo México.
“O terreno mais estratégico foi o antigo rancho Hanging H”, explica David sobre essa aquisição feita na fronteira entre os dois estados; sua localização permite bombear a água residual — cujas regras são muito rígidas em partes do Novo México —, para áreas onde as regulamentações ambientais se mostram menos restritivas
A infraestrutura pronta. Para conectar esse deserto à economia global da IA, foram criadas novas divisões. A Land Bridge recentemente enterrou centenas de quilômetros de tubulações menores que permitirão às empresas hyperscale passar cabos ópticos com facilidade.
Adicionalmente, foi criada uma divisão chamada Power Bridge pela Five Point e há planos concretos de investir US 1 bilhão (R 5,09 bilhões) em geração elétrica movida a gás natural para o projeto inteiro. Segundo Jim Davidson, consultor do grupo, ter terra barata, água abundante e combustível acessível são condições necessárias — mas não suficientes —, por isso os investimentos buscam também fibra óptica e eletricidade robusta
O potencial populacional da região
Apesar dos números impressionantes que demonstram um ecossistema industrial completodesde dutos até energia limpao desafio final é humano. A pergunta permanece se Capobianco conseguirá atrair mão de obra técnica suficiente em uma paisagem tão árida quanto a pequena Pecos.
“Ele conta com formandos das universidades Texas Tech e Texas AM”, diz o grupo, apostando na migração trabalhista para os empregos gerados por algo projetado ser mais de US 50 bilhões (R 2,545 trilhões) em investimentos futuros.”
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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