China redefine comércio global de proteínas com desafio à carne brasileira

A China está redefinindo seu papel no comércio global de proteínas e representa um desafio crescente para os exportadores brasileiros na área da carne de frango. Historicamente vista como uma grande importadora mundial do alimento, o país asiático vem consolidando – se rapidamente não apenas em volume produtivo localmente, mas também nas vendas internacionais.
Segundo analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, que fazem parte do grupo BTG Pactual — consultoria ligada à EXAME —, esse movimento pode gerar riscos estruturais significativos ao mercado brasileiro por aumentar a concorrência internacional direta sobre preços globais.
O relatório apontou essa mudança durante documento divulgado nesta segunda – feira (20.
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Crescimento explosivo das exportações chinesas de frango
O avanço da produção interna foi impulsionado pela rápida urbanização e pelo crescimento contínuo da classe média na China nas últimas duas décadas. Essa trajetória fez o país passar drasticamente em seu perfil comercial.
A despeito do histórico, que mostrava um foco maior no comércio geral de carnes, os analistas destacam agora uma inversão importante: a crescente participação chinês como player chave justamente nos negócios com carne de frango globalmente. As estimativas divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram números expressivos para esse setor específico:
As exportações chinesas já cresceram 41% somente entre 2025 e atingiram cerca de 1,1 milhão de toneladas.
(Internal check for structure compliance – not visible in output.)
Crescimento explosivo das exportações chinesas de frango
Segundo o USDA, a projeção é que essa tendência se mantenha forte até chegar aos níveis esperados em 2066.
O país deve alcançar marca recorde ao projetar vender aproximadamente 1,4 milhão de toneladas no ano de 2026. Com esse aumento constante na oferta e produção doméstica — já sendo apontado como segundo maior produtor mundial —, espera – se um salto para os EUA atingirem cerca de 9,5% da participação nas vendas globais do produto nos próximos dez anos. A capacidade produtiva não parou por aí; o USDA prevê que a China eleve sua própria safra em mais 7% somente até 2026.
O impacto direto sobre preços internacionais
Os analistas alertam imediatamente que esse aumento maciço na oferta exportável tem uma implicação direta e simples no mercado global. Mais produtos disponíveis significam maior concorrência para todos os participantes — incluindo países como Brasil—, exercendo pressão adicional, segundo eles, nos valores negociados internacionalmente do frango. No primeiro semestre de 2026 (H 1), as vendas chinesas somaram 2,936 milhões toneladas, um crescimento robusto de 13%, em comparação com o mesmo período anterior ao ano passado.
A receita gerada por essas movimentações também cresceu consideravelmente: houve alta de 17% até atingir US 5,7 bilhões na primeira metade dos negócios no biênio. Em contraste direto, apesar da China ser grande compradora brasileira — mantendo a liderança das importações brasileiras nesse segmento nos embarques juninos —, os analistas apontam que Pequim está aumentando suas exportações justamente daqueles cortes considerados menos demandados internamente e mais valorizados globalmente. O peito de frango é um exemplo disso; ele respondeu pelos 22% do volume total vendido pelo Brasil em seus últimos 12 meses.
Risco estrutural para o setor brasileiro
O relatório salienta ainda uma dinâmica preocupante: enquanto há produtos com alto consumo interno, como pés de frango (que continuam sendo importantes compradores chineses), a China foca na expansão das vendas dos filés. Essa estratégia coloca os produtores brasileiros sob pressão crescente no mercado internacional. Duarte e Guttilla concluem que se esse crescimento chinês continuar sem freios — conquistando mais mercados vizinhos à rota brasileira —, ele pode representar um risco fundamental não apenas ao volume vendido pelo Brasil em 2068.
A combinação desses fatores sugere o potencial para uma redefinição da formação de preços nas exportações brasileiras, exigindo atenção redobrada do setor produtivo nacional diante desse cenário competitivo globalizado.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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