Cientistas identificam mecanismo regulador climático terrestre

Cientistas desvendam mecanismo natural que regulava clima terrestre por milhões de anos com impacto previsto para 2026.

18/07/2026 13:16

3 min

Terra: cientistas identificaram um processo que ajudou a manter o planeta habitável ao longo de milhões de anos
Terra: cientistas identificaram um processo que ajudou a manter ...

A Terra possui um mecanismo regulador que pode ter operado por dezenas de milhões de anos para evitar mudanças climáticas extremas em escala geológica. Cientistas descobriram agora o processo exato: uma conexão entre a variação do nível dos oceanos, como os nutrientes se movem no mar e quanto carbono é armazenado nos fundos marítimos.

Essa descoberta funciona essencialmente como um “termostato natural” planetário capaz de manter as temperaturas estáveis ao longo da história terrestre completa. O estudo foi conduzido pela Universidade de Syracuse, com colaboração das universidades de Oxford e Copenhague, resultando na publicação científica revista pelo PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences.

O ciclo que regula o clima em escalas geológicas

A equipe explica que esse mecanismo ajuda a entender grandes transformações climáticas ocorridas há aproximadamente 60 milhões de anos atrás. Ele é acionado principalmente pelas mudanças no nível do mar.

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Quando os níveis marítimos avançam sobre plataformas continentais rasas, um aumento significativo ocorre nos sedimentos costeiros: mais fosfato fica retido ali. Esse nutriente mineral essencial para as algas diminui sua disponibilidade nas águas oceânicas abertas e afeta diretamente organismos marinhas responsáveis por retirar carbono da superfície dos oceanos.

Com menos nutrientes disponíveis na água aberta, o crescimento desses seres vivos desacelera; consequentemente, uma menor quantidade de carbono orgânico consegue ser enterrada em profundidade pelos sedimentos submarinos. Isso permite que maior parte desse gás permaneça livremente circulando na atmosfera, favorecendo condições climáticas globalmente mais quentes naquele período específico do planeta.

Como a queda ou subida do mar impacta os níveis atmosféricos

O ciclo inverte seu funcionamento quando ocorre um recuo no nível marítimo. Nesse cenário oposto, há um aumento da disponibilidade de fosfato nas águas oceânicas abertas. Esse excesso estimula o crescimento e proliferação massiva dos organismos marinhas locais.

Após esses seres morrerem naturalmente, uma parcela considerável do carbono contido em seus corpos afunda para as profundezas oceanográficas. Ali ele permanece armazenado nos sedimentos por milhões de anos — processo que reduz drasticamente a quantidade total de dióxido de carbono na atmosfera globalmente falando.

Os pesquisadores concluíram que esse sistema cíclico atua como regulador natural capaz de equilibrar variações climáticas ao longo extensíssimos períodos históricos. A influência desse nutriente específico no controle climático era pouco compreendida até agora; o fosfato é crucial porque determina diretamente quanto da concentração atmosférica será capturado e guardado nas vastas reservas dos fundos oceânicos.

Condições ideais para armazenamento máximo de carbono

Para testar essa hipótese complexa, os cientistas reuniram diversos registros geológicos em seu estudo, analisando dados sobre fósforo junto com amostras históricas de carbono encontradas nos sedimentos marinhos. Os resultados mostraram que a previsão feita pelos modelos científicos coincide perfeitamente com as evidências registradas ao longo desses últimos 60 milhões de anos.

A análise também foi capaz de identificar um intervalo específico onde o sistema se torna mais eficiente na retenção do gás carbônico atmosférico: esse período ocorreu quando o nível médio dos mares permaneceu entre dez e quarenta metros acima da cota atual.

Nessas condições ideais, regiões pobres em oxigênio avançavam diretamente por cima de vastíssimos depósitos ricos em fosfato acumulado no fundo oceânico. Isso favorecia enormemente o soterramento contínuo das grandes quantidades de carbono gasoso durante longos períodos geológicos acentuados.

Os pesquisadores avaliaram que essa dinâmica desempenhou papel fundamental para a redução gradual desse dióxido de carbono presente nos gases atmosfericos globais, contribuindo assim decisivamente na transição do planeta rumo um clima mais frio hoje conhecido como Quaternário.

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